segunda-feira, 6 de abril de 2020

A questão das MÁSCARAS.



Torna-se necessário discutir este ponto e não criar controvérsias desnecessárias. Acontece que este assunto, de natureza controversa, pode criar conflito de opiniões. Neste artigo de opinião, citam-se algumas das entidades relevantes sobre o assunto (em espanhol, para melhor compreensão)

W.H.O. -  WORLD HEALTH  ORGANIZATION


[A Organização Mundial de Saúde] aconselha , nestes termos :

 Quando usar uma máscara 

"When to use a mask

  • If you are healthy, you only need to wear a mask if you are taking care of a
  •  person 
  • with suspected 2019-nCoV infection.
  • [Se estiver de boa saúde, só precisa de usar uma máscara se estiver estiver 
  • ao cuidado com suspeita de infecção 2019-nCoV]
  • Wear a mask if you are coughing or sneezing.
  • [Use uma máscara se estiver a tossir ou espirrar]
  • Masks are effective only when used in combination with frequent 
  • hand-cleaning 
  • with alcohol-based hand rub or soap and water.
  • [As Máscaras são efecientes só quando usadas em combinação com 
  • lavagens frequentes de produtos à base de álcool ou água e sabão] 
  • If you wear a mask, then you must know how to use it and dispose of it properly.
  • [Se usar uma máscara, deve saber como usá-la e colocá-la apropriadamente].

When and how to wear medical masks to protect

 against coronavirus

  • Before putting on a mask, clean hands with alcohol-based hand rub or soap and water.
  • Cover mouth and nose with mask and make sure there are no gaps between your face 
  • and the mask.
  • Avoid touching the mask while using it; if you do, clean your hands with alcohol-based
  •  hand rub or soap and water.
  • Replace the mask with a new one as soon as it is damp and do not re-use single-use
  •  masks.
  • To remove the mask: remove it from behind (do not touch the front of mask); 
  • discard immediately in a closed bin; clean hands with alcohol-based hand rub or 
  • soap and water.




  • ******************************************


  • CENTERS for DISEASE CONTROL and PREVENTION (CDC)
  • [Centros para Controle de Doenças e Prevenção]



C.D.C. - "Los CDC continúan estudiando la propagación y los efectos del nuevo coronavirus en todo el territorio de los Estados Unidos. Ahora sabemos, gracias a estudios recientes, que una cantidad significativa de personas con coronavirus no tienen síntomas (“asintomáticos”) y que aun aquellos que en algún momento los presentarán (“presintomáticos”) pueden transmitir el virus a los demás antes de mostrar esos síntomas. Esto significa que el virus se puede propagar entre personas que estén interactuando muy cerca una de la otra —por ejemplo, al hablar, toser o estornudar— incluso si esas personas no están mostrando síntomas. En vista de esta nueva evidencia, los CDC recomiendan el uso de cubiertas de tela para la cara en entornos públicos donde otras medidas de distanciamiento social sean difíciles de mantener (p. ej., supermercados y farmacias), especialmente en áreas con transmisión comunitaria significativa.
Es esencial destacar que mantener los 6 pies de distanciamiento social sigue siendo importante para desacelerar la propagación del virus. Los CDC también están aconsejando el uso de cubiertas de tela sencillas para la cara para desacelerar la propagación del virus y ayudar a evitar que las personas que podrían tenerlo y no saberlo transmitan el virus a los demás. Las cubiertas de tela para la cara elaboradas con artículos de uso doméstico o hechas en casa con materiales de bajo costo pueden usarse como una medida de salud pública voluntaria adicional.
Las cubiertas de tela para la cara recomendadas no son las mascarillas quirúrgicas ni los respiradores N-95, que son suministros esenciales y se deben seguir reservando para los trabajadores de la atención médica y otros miembros del personal médico de respuesta, según lo recomendado por las actuales directrices de los CDC."
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O QUE ESTÁ EM CAUSA ?
Antes de começar, o mundo tem a desgraça de ter como Presidente dos Estados Unidos o Snr. Trump do qual nada se espera. Segundo estas Organizações, o uso ou não uso de máscaras é colocado em termos ligeiramente diferentes. A mudança do "não usar" para uma abertura de "usar"  vai acabar por ser uma decisão pessoal. A seguir vai analisar-se o que está em causa. O problema é que para se puder optar, tem que se saber com rigor ,através de estudos experimentais o resultado desses testes. Ora estes requerem infraestruturas de ensaios com vírus, que apenas estas organizações detêm (àparte a Robert Koch Institute (RKI) alemã, e poucas outras no mundo) permitem responder. O Governo Português e a D.G.S. estão titubeantes e citam estas duas Organizações. Pessoalmente, sustento que as máscaras não são por si só um escudo protector do vírus (são de alcance limitado) mas permitem atenuar o efeito nefasto do vírus e não descortino o não aconselhamento ou liberdade pessoal para o seu uso.
Sar-2 COvid-19


O vírus tem dimensões extremamente pequenas cada SARS-CoV-2  tem aproximadamente 50-200 nm de diâmetro.
[1 mm =1000000 nm, ou seja  um milímetro corresponde a 1 milhão de nano metro (nm)]. Os vírus, consideradas como meras partículas esféricas, penetram fácilmente quer na estrutura de qualquer máscara. O vírus é expelido através das gotículas de água (saída do ar-respiração ou saliva), quer pelos declarados infectados,   quer pelos casos ditos assimptomáticos (contagiados sem conhecimento, nem sintomas, tout court). Além desses agentes,os vírus podem alojar-se ou ser depositados nas superfícies de contacto. Há ainda suspeitas de também ser transportados por aerosóis. Então, todo o cuidado é pouco, e incrivelmente o melhor método é evitar cruzar-se com ele.Tem,assim pleno cabimento, as imposição de :Confinamento e distância social (~2 metro). Também há controvérsia quanto a esta distância, já que depende da trajectória das partículas (Toma-se como distância segura,um valor aproximado de 2 m. Para segurança reforçada, aumentar a distância para 3-4 metro. Estudos do MIT mostram que o regime do espirro é de natureza turbulenta e pode atingir distâncias até 6 m. Não facilitar e precaução é a regra.

Admitindo que as MÁSCARAS e, em geral, qualquer tecido tem uma malha quadrada (ou rectangular)  de maiores dimensões que os vírus, existe sempre a possibilidade de atravessar o tecido. Todavia, se os vírus são transportados pelas gotículas de água, então pode assumir-se que algumas poderão ficar retidas no tecido e lá permanecerem por algum tempo (horas). E as máscaras são muito variadas, sendo as dos profissionais mais sofisticadas (que essencialmente poderão ter malhas de menor dimensão e com filtros incorporados).Então tudo depende do fluxo de vírus que entra e daquele que sai, ao atravessar a barreira do tecido da máscara. Se o objectivo consiste no aniquilamento dos virús antes de atingir o sistema respiratório (boca, narinas), então quanto maior for o tecido (mais redes interpostas) tanto melhor. É a situação do uso das écharpes, cachecóis, (...). Melhora mas não resolve. Um obstáculo sólido - viseiras transparentes melhora bastante, mas como existe ainda uma situação de fronteira aberta para bocas e narinas o problema subsiste mas agora, mais reduzido. O ideal será isolar todo o corpo humano, com viseiras e fatos de protecção completos. Claro, tudo isto é fácil propor, mas não se leva em linha de conta, os factores económicos os meios financeiros, a que o político tem de responder de modo equilibrado.


Em conclusão pessoal, não se vislumbra razão em que o uso da máscara possa agravar a situação. Tudo parece apontar para a nível governamental se alterar a situação.  Onde está a Europa que nem máscaras consegue produzir em quantidade? Nem ventiladores? Curiosamente, os que agora reclamam tudo e mais alguma coisa do Governo, são os mesmos que subfinanciaram o sistema de saúde, as universidades , destruíram o sector público e nas suas fileiras alimentaram os Chega e outros que tais. O Tempo é de união, esforço e colaboração entre todos os portugueses. A política, por ora, fica de lado. Pequenos registos aqui, só pretendem lembrar os combates que se seguirão, depois desta tormenta passar. 


Como refere a D.G.S.  há situações em que o uso da máscara pode ser desvantajoso. Um desses casos consiste,por ex. no uso da máscara, em que se admite que os vírus atravessaram a fronteira da máscara e ficaram na zona entre a máscara e a boca e narinas. Nesse caso, é expectável que os vírus presentes na zona sejam introduzidos nas vias respiratórias pelo simples acto de respiração. Estes estudos são conduzidos por Instituições com conhecimento de causa (a manipulação de vírus é extremamente perigosa) e, portanto, ou se confia ou não confia nestas instituições, nos conhecimentos da medicina e da ciência. Trump, Bolsonaro, Johnson vivem em mundos fantásticos, de pura fantasia. Um dia chegará que se irá comentar de novo a célebre frase da I Grande Guerra : " Lions led by donkeys".


O importador e o comércio especulativo não se fez esperar.  Ao pobre cidadão restará pagar o que lhe for exigido, ou entregar o destino nas mãos dos deuses.


A melhor solução é FICAR EM CASA e guardar DISTÂNCIA SOCIAL, com todas as incertezas e atribulações da vida. 









segunda-feira, 30 de março de 2020

[CORONAVÍRUS-19] -30 Março de 2020

A evolução da pandemia mostra-se cada vez mais severa,dia a dia e que  se prolongará por semanas indefinidas(fins de Maio?). Este texto procura responder, em termos simples, às exigências IMPERATIVAS (obrigatórias) de: confinamento e distância social, provavelmente por um período longo que será difícil suportar por famílias numerosas. A resiliência [aguentar, custe o que custar] é vital para superar colectivamente este desafio e, portanto, a única saída possível é a receita: confinamento e guardar distância social (~2 metro). Mais uma vez se recorre à apresentação de gráficos para uma melhor compreensão desta pandemia e do que se espera ainda venha a ocorrer.

Se o leitor quiser pode saltar o texto abaixo entre as duas linhas de asteriscos, por se tratar de mais uma dimensão da problemática política da Covid-19

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[NOTA] - {A situação dramática da COVID - 2 dos povos do Sul mediterrânico Itália-Espanha-Grécia-Portugal, desta vez acompanhados pela França, reclama uma solução europeia conjunta. Pela primeira vez, António Costa, questiona a Europa-perguntando para que serve a UE sem qualquer tipo de solidariedade perante vidas humanas ceifadas. A Itália impôs um ultimato para solução do problema. Depois da crise, muita coisa terá que mudar. Ficará tudo adiado para para mais tarde. Se os países do Norte, com a Holanda à cabeça- representada  pelos Snrs. Dijesselboem e Wopke Hoekstra, (líder informal dum conjunto de países nórdicos:Estónia,Finlândia,Lituânia e Holanda) na UE persistirem, fica garantida uma contenda dura e o futuro da UE questionada. Estes Snrs. sabem como foram financiadas as guerras e a Alemanha também sabe da poda. Ambos holandeses pertencem ao agrupamento político CDA, cristãos democratas coligados}.

Basicamente, se as despesas inerentes ao combate ao Covid-19 entrar nas despesas de cada estado é fácil adivinhar o que aí vem. Exige-se uma solução de decência, que não virá certamente dos Trump´s, Bolsanaros, Borie Johnson´s e quejandos. Estes devem ser tratados pelos seus povos e nações.

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Voltemos à questão que importa, por ora. A evolução temporal da pandemia pode ser consultada carregando aqui. [em 29.03.2020], com dados oficiais. Existem 3 casos confirmados (a esta data) para o concelho de Vimioso.

O andamento geral da curva, apoiada em modelos e tomando os dados oficiais, pode traduzir-se pelo comportamento esperado representado na Fig.1. O importante aqui, é prever em termos gerais o que nos espera.
Fig.1 -Curva de evolução (Ponto de inflexão)

A evolução da curva(a vermelho) representa o comportamento sem medidas tomadas. O tipo de andamento é do tipo exponencial, de crescimento rápido, e constitui o modelo básico para descrever o número de casos com Covid-19 confirmados, e apenas aplicável à fase inicial do surto. Uma análise fina requer modelos mais sofisticados e obviamente sob a alçada de peritos (epidemiologistas, matemáticos da área da estatística, cientistas), onde são levadas em linha de conta vários parâmetros para a a sua modelação.
Na Fig.1 representa-se o ponto de inflexão-ponto de divergência das várias curvas e que indica o ponto de transição da curva exponencial (sem medidas impostas) para um novo andamento para as curvas genéricas Curva 1, Curva 2, .... É tarefa dos matemáticos, de parceria com os médicos, fazer a análise dos dados oficiais indicados pela SNS e indicar qual a curva que mais se aproxima da realidade observada. Como se pode observar, o crescimento dos afectados continua sempre  a crescer e tendencialmente acaba num plateau , ou na linguagem da snra. Directora do SNS num planalto. Na verdade não se trata bem dum planalto, mas numa zona mais ou menos plana, e que já permite gerir, em termos numéricos, os afectados pelo vírus, de acordo com a gravidade da doença.
Este planalto está representado abaixo da posição onde se encontra escrito :Curva 1, ou curva 2,...
A lógica obedece ao critério de uma distribuição tal que os casos de mais gravidade vão ser assistidos nas UCI-Unidades de Cuidados intensivos e à gestão hospitalar compete regular as entradas e saídas destas unidades. Os casos, supostos menos graves , terão tratamento domiciliário, transitando eventualmente para os hospitais de campanha, e eventualmente para as U.C.I.

O controlo, no campo do terreno prático, é susceptível de críticas e há algumas que são óbvias para todo o cidadão. A falta de equipamento básico primário para os profissionais de saúde é manifesta. A impreparação para este surto também é objecto de discussão, a começar pela determinação da origem da epidemia e das medidas [Ver Fig.1]. Porém de acordo com o que vai pelo mundo, este governo tem tomado as medidas certas, em tempo mais ou menos oportuno, e vai procurando obter o equipamento médico indispensável (ventiladores, kits de teste, ...). Comparado com as decisões de outros governos estrangeiros, o governo tomou medidas, com pensamento e acção clara e decidida [Recorde-se o caso inglês, para não falar de outros].

Esta crise permite ver claramente a natureza dos poderes políticos e da própria natureza do poder. Exige-se, creio eu, uma frente unida interna e uma frente unida externa [caso dos holandeses]. Com uma vaga esperança de que a UE tenha uma resposta digna, ou se não estiver à altura , várias crises se sucederão na Europa, com consequências imprevisíveis.

O tempo é de resistência, com uma união firme entre todos os portugueses e as medidas governamentais. Se a UE não der uma resposta à altura, não resta dúvida alguma que economicamente o país irá passar por uma austeridade, de cariz novo, e muito superior à crise anterior.

Protejam-se, relembrando que a melhor solução é: Confinamento e distância social. Numa área geográfica onde as telecomunicações  são praticamente inexistentes (Não existência Internet, telefones móveis, não cobertura de TV - embora haja montes e energia eléctrica), resta às populações seguir as directivas das entidades administrativas e Delegação de Saúde, que não duvido porão toda a sua energia para a resolução dos casos que eventualmente surgirão e a bem das suas populações.
 E boa sorte para todos!

[Para quem desejar aprofundar  os últimos acontecimentos sobre Covid-19, podem consultar  o artigo "Imperial College COVID-19  Response Team (em inglês-35pgs)", clicando aqui. A partir deste site pode,se assim o desejar, fazer o "download Report 13]

sexta-feira, 20 de março de 2020


CORONAVÍRUS - Covid-19

19.03.2020



Os leitores devem seguir informação séria e não aderir a todo e qualquer informação da Internet.
Sugere-se aos leitores um artigo publicado no Público de 10.03.2020 e que expõe toda a problemática do vírus, de um ponto de vista da evolução da doença e ainda o sítio do responsável por toda a informação do Covid-19 em Espanha - Dr. Fernando Simón Soria.

Se desejar,  [Clique nas hiperligações abaixo]

1. Artigo_ Público de 10.03.2020
https://www.publico.pt/2020/03/10/sociedade/perguntaserespostas/novo-coronavirus-factos-respostas-previsoes-1906959

2. INFORMAÇÃO_Coronavirus - Covid-19 * Espanha [Actualização permanente]

https://www.mscbs.gob.es/profesionales/saludPublica/ccayes/home.htm

Director do Centro:Fernando Simón Soria 

Doutor epidemiologista espanhol


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EVOLUÇÃO 

Na sequência do texto anterior, tentou-se explicar a resposta do SNS , de modo a evitar o regime caótico caso a progressão da doença não seja travada. As medidas recentes do Governo e o decreto do PR do estado de emergência visam precisamente esse mesmo objectivo. Esta medidas fundamentam-se nas previsões da evolução da doença (com dados não necessariamente conhecidos do público).  De forma simplificada, uma pessoa contaminada com o vírus propaga o vírus a seres semelhantes, tendo como resultado um crescimento exponencial na propagação inicial do surto. Ora, este processo do conhecimento dos casos confirmados depende de um rigoroso cálculo estatístico [sendo necessário conhecer pelas Instituição dedicadas ] os casos confirmados ao longo do tempo.
Fig.1 - Representação da propagação do vírus


Para quebrar a sua progressão, o método consiste no isolamento, sendo o melhor método de resolução do problema. O governo optou por manter viva a actividade económica básica para salvaguarda do colapso da própria sociedade [falta de alimentos, remédios, abastecimento água, ..., serviços essenciais]. Aqui reside um potencial risco de progressão continuada, embora a progressão caia substancialmente. São decisões não radicais, de compromisso e equilíbrio, mas calculadas.

Toda a medida é susceptível de crítica, mas o tempo é de acção e não de discussão de medidas [mas que obviamente será necessário discutir futuramente. Relembrar que o ISOLAMENTO e distância social é o melhor método para quebrar a propagação do vírus. A imprensa e os media tratam, abundantemente do assunto [Dados:Hospital Americano (Jersey)].
Fig.2 - Cenários para controlo da crise da epidemia actual

Em Inglaterra,por exemplo, tendo-se menosprezado inicialmente um combate vigoroso, acabam de decidir encerrar todas as escolas indefinidamente e cancelar os exames [atingindo 8 milhões de alunos ]. Admite-se, agora, que houve uma evolução mais rápida que o previsto.

 Os números acumulados até 18.03.2020, estão representados  na Fig.3.
Fig.3 - Evolução de casos fatais (países mais atingidos


A Itália supera já o número de vidas perdidas a nível mundial, apesar de uma população muito inferior à China. E a Itália não é um país qualquer.Faz parte dos países mais industrializados do mundo.
Espera-se que em Portugal, a evolução seja mais ou menos benigna. Cada qual deve respeitar o direito de cidadania que Portugal lhe concede e facilitar a vida das Organizações( SNS, ...) e de todas as equipas no terreno que procuram defender-nos, em processos que não são nada fáceis.
Fig.4- China-evolução e controlo (Curva actual)

Os números do SNS apontam para o regime do crescimento, tipo exponencial e provavelmente durante as próximas semanas será esse o panorama. Espera-se que depois o crescimento atinja  um patamar, a partir do qual a epidemia começará a descer. Na Fig.4 , a curva a azul representa o crescimento observado, atinge
 um patamar, a partir do qual se espera uma lenta descida.

A unidade política portuguesa, frente à crise do coronavírus, deve manter-se em todas as formas, como geralmente tem sido verificada, em geral. Todavia, esta união é quebrada quando se desce ao concreto. O Paulinho das feiras, a pretexto da informação sobre o tema (TVI), já vociferou, falou em laxismo governamental, o líder populista já colecciona ataques futuros (em gavetas de ocasião) e o parlamentário Telmo amplifica os ecos. O eventual laxismo de que esta gente fala deve ser esclarecida mais tarde. Pobre sinfonia. Calem-se as trombetas e siga-se, sem comentários, as directivas e as informações governamentais. Não faltará tempo para novos combates  quando esta crise passar. Espera-se que nada fique na mesma.  A esta crise sanitária, irá seguir-se a crise económica. Por enquanto, é necessário esperar o pior, que ainda não chegou. E, por ora, é tempo de união, e ainda não é chegado o tempo dos politiqueiros de ocasião. Escute-se a ciência e a medicina (matemáticos,epidemiologistas, laboratórios, ... ) e que todas as forças sejam dirigidas para o combate de todos pela erradicação do vírus. 

Mantenha-se informado e consulte o sítio criado pelo governo [Clique aqui ]. E enquanto a vacina não chega, cumprir ISOLAMENTO e Distância social. Boa sorte.

sábado, 14 de março de 2020

A Pandemia Covid -19

A origem da Pandemia: Covid - 19

A história das pandemias é longa.  A resposta médica  imediata para  a cura da pandemia Covid - 19 não existe, embora hoje se esteja muito melhor apetrechado para enfrentar problemas passados, semelhantes. Este texto pretende explicar, em termos simples, os acontecimentos que se vão desenrolando a uma cadência vertiginosa. Os objectivos são claros:

A -  Aguardar com serenidade a evolução da epidemia. [Nada de entrar em pânico e, em caso de sintomas (febre alta, tosse seca, dificuldades respiratórias...entre outros, consultar o médico]. Trata-se de mais uma situação de aperto da Humanidade ao longo dos tempos [Peste negra (1346-1353), Pneumónica (1918), SARS (2003), Zica (2015), Ébola ( surtos 2013,4)]. 

B - Seguir à risca as RECOMENDAÇÕES do Serviço Nacional de Saúde (OMS), Protecção Civil e directivas governamentais.

O que é o coronavírus? Trata-se de um vírus modificado, muito agressivo e que pode infectar

Fig.1 - Coronavirus*Covid-19

causando doenças respiratórias sérias desde uma simples constipação comum até lesões dos pulmões, pneumonias e danificação de outros orgãos vitais [Figado, rins]. Este vírus é conhecido por SARS-Cov-2 e a doença que provoca : Covid-19. Atinge quer animais quer o ser humano. O mecanismo de transmissão não é totalmente conhecido. Admite-se que seja um vector animal (morcego é um possível candidato) que resistente ao vírus possa, todavia transmiti-lo a outros animais, que por sua vez entra na cadeia humana.


O grau de severidade da doença pode ir da moderada a extrema. Nos casos extremos é letal.
Um relatório conjunto foi apresentado pela Organização Mundial de Saúde - WHO, com a participação de vários peritos internacionais e onde se explica a problemática da Covid-19. [Clique aqui para este documento (em inglês), referência que poderá interessar aos profissionais da Saúde].

Comecemos, então, por analisar a curva (Fig.2) proposta como base de trabalho para controlo da pandemia.  Foi citado no relatório da WHO (World Health Organization) definindo em traços gerais uma estratégia possível para solução do problema e que vem sendo seguida pelas organizações de saúde pública  em diferentes países.

A linha a tracejado "  ---- "representa  o nível de resposta do serviço Nacional de Saúde, fronteira entre dois regimes :

REGIME 1 :Pandemia caótica, descoordenada e sem controlo por falha abrupta dos factores de controlo e de suporte.

REGIME 2 : Pandemia, diluída no tempo, com origem no primeiro caso surgido (em cada país, ou região), mas agora com resposta capaz dos meios existentes no país (em termos humanos, materiais, económicos e todos os outros factores associados).

As medidas governamentais são, por ora de carácter preventivo, cujo objectivo é evitar o regime 1 (incontrolável) e lidar com a pandemia, de modo mais ou menos controlado e por fases sucessivas. Toda a Humanidade está em risco e o esforço para a debelar é de natureza global. O cidadão também está envolvido, devendo expurgar-se de toda e qualquer afinidade com qualquer ideologia, filosofia ou pensamento político, para a superação deste combate: vida ou morte.  No lado direito do gráfico, se enquadram as recentes medidas legislativas, supostamente ajustadas à situação actual: fecho de escolas, introdução do tele-trabalho, direitos laborais e empresariais, pacotes económico-financeiros e uma lista infindável de medidas (tomadas ou a tomar, de futuro).  

De modo optimista, espera-se que o Regime 1 não venha a ser atingido e a fatalidade individual não venha bater à porta. Quanto ao Regime 2, numa óptica realista, dificuldades vão surgir e espera-se que os fundamentalismos ideológicos dos partidos não contribuam para aumentar a ansiedade e natural receio da população. Após a crise internacional de 2008, acrescida de erros internos, levou os portugueses a uma austeridade extrema. Convém rezar a todos os santinhos, para que nova austeridade redobrada nos não bata à porta. Daí a sugestão da seguida à risca das  recomendações (Objectivo B).

Fig.2 - Controlo possível da Covid -19

Os politiqueiros de ocasião continuarão a especular e inventar novas teorias da conspiração. 
Para fugir aos do burgo e colocar a vida do ser humano em primeiro lugar, os Trumps, Bolsonaros e afins devem subordinar-se à ciência médica e conhecimentos científicos, embora se saiba de antemão que a ciência médica não dá respostas com carácter absoluto. Existem muitas interrogações, dúvidas e incertezas sobre a Covid-19. Não desenvolveremos  uma análise detalhada (por despropósito do fim em vista), mas tão somente indicar que, mesmo com tanta incerteza, os êxitos da Medicina não se medem com a bitola desta casta de políticos, por mero palpite.


As medidas tomadas pelo Governo Português são semelhantes às de outros países europeus.Têm em comum, a particularidade de enfrentar uma situação nova, com um vírus potencialmente letal. A Itália está a ser fustigada em força pela Covid-19, criando páginas de Internet para o efeito [Clique aqui ]. 

Para não tornar este texto demasiado pesado [em contexto de crise global], existe um paralelo com a pandemia pneumónica  de 1918, uma das mais mortíferas. Estima-se que o número de mortos tenha atingido, à escala global, entre 50 e 100 milhões de vidas humanas. 

Poderá perguntar-se, qual a diferença entre a actual e a pneumónica?

O receio e o temor é, ou pode ser semelhante.Todavia, existe uma diferença fundamental. Durante a pandemia pneumónica sabia-se, em clima da Grande Guerra que existia um vírus, de grande agressividade mas não era possível observá-lo por limitações da ciência. A gripe viria a tomar o nome de Gripe Espanhola (nome desprestigiante para Espanha) pelo facto da Espanha ser um país neutral e os outros países  estarem subordinados a censuras  militares várias. Foi tão terrível, que provocou ondas  de receio e pavor por gerações. Esta espada letal escolhia preferencialmente gente jovem: 20-30-40 anos. Contrariamente à actual que parece  seleccionar os mais debilitados fisicamente e poupar os mais jovens.

O receio e temor é hoje espalhado pelos meios jornalísticos, meios sociais e fazedores de opinião. Depende de cada um dar-lhes ou não aceitação e separar, com olhos críticos, o trigo do jóio [Vêr acima, REGIME-2] . 

A política nacionalista de Trump com os seus muros e entrada selectiva no país não impediu a entrada do vírus nos Estados Unidos. A ala liberal americana, contra tudo o que cheire a regulamentos e limitações, acaba mendigando às mãos dos Estados. Embora, esta atmosfera pesada : fecho de escolas,  máscaras, corrida aos supermercados e fuga aos locais públicos e de reuniões exista - a realidade médica [com deficiências e insuficiências] é totalmente distinta. Durante a pneumónica, não existia a possibilidade de quarentena. Hoje, existe. 

O perigo potencial, reside no facto do mundo ser global: interconexão de países, indústria partilhada, viajantes intercontinentais. Toda esta problemática global, de facto também existe. A pneumónica terminou em 1919. A incerteza associada à determinação do pico da crise  Covid -19 e a produção de uma vacina eficaz constituem fontes de inquietação.

Hoje, a ciência médica está muito mais avançada, e em tempo record, é possível observar o vírus (microscopia electrónica), representá-lo estruturalmente e conhecer o seu genoma. Até que as ciências farmacêuticas consigam fabricar uma vacina eficaz contra o coronavirus. 

Até agora são combatidos por drogas existentes no mercado, contra vírus da mesma estirpe. Espera-se que possa surgir dentro de  cinco meses a dois anos. Tudo dentro duma grande incerteza. É a incerteza do tempo de produção em tempo útil que envolve a economia. Quantidades de dinheiro colossais terão que ser investidos para a sua produção. Existe o risco de se criar uma vacina, sem que todavia entre no mercado e possa ser vendida, pois a doença pode acabar por extinguir-se por si mesma.

Resta uma fundamentada esperança desta crise pandemica ser resolvida em tempo curto. Os rumores e palpites sem fundamento não têm razão de existir. Até os Trumps, Bolsonaros e afins já perceberam que podem ser atingidos. Às piadas jocosas do Snr. Trump e do aprendiz Bolsonaro , contrapõe a imprensa séria a imagem destes figurantes a cerca de 1/2 m dum índividuo da corte, testado já positivamente com o teste Covid-19. Trump, na sua arrogância de negação da ciência, assiste agora à entrada em força do vírus onde as mortes já não são despiciendas. Forçado a negociar com os Democratas, assina um pacote de emergência de  50 mil milhões de dólares, que inclui um kit de teste gratuito para os que não têm seguro. Outros estão já em perspectiva. A Apple fecha as suas lojas em todo o mundo durante 2 semanas (excepto China -já fechadas durante 2 meses) e o Pentágono fecha as portas a visitantes para conter a propagação do vírus.

A Administração Trump, no início da pandemia, aconselhava nos tweet's : "abra as janelas e não partilhe alimentos" a fim de manter  casas, negócios e actividades fora da pandemia.  Na sua retórica atira as suas responsabilidade para a anterior administração Obama. Os seus seguidores tudo lhe perdoam. E assim, o mundo constituído por seres humanos fica dependente  do todo poderoso Trump. Ataca a China como responsável da origem do vírus. A China riposta com o culto do todo poderoso ignorante. Histórias já antigas de vírus militares vêm de novo à superfície. Mistura de verdade e ficção. O ser humano quer e reclama acção médica e não retóricas de ideologias e seitas partidárias. Os que ontem cortavam a direito, com o fundamento da austeridade, são os mesmos que hoje mandam bitaites na Assembleia da República, clamando por mais camas, mais equipamento médico, mais e mais brinquedos de medicina. Sabem, mas não reconhecem o circo político que montaram. O cidadão saberá nesta crise concluir sobre as teses liberais dos insignificantes parlamentares e dos Venturas populistas.

Para terminar, convirá lembrar que vai seguir-se um período económico deveras duro. Pior que o de 2009. A juntar à austeridade remanescente e à dívida pública actual, vai adicionar-se esta crise pandémica que é também económica. A consciência da UE que, de certa maneira não protegeu o cidadão português da austeridade extrema a que foi forçado, vê-se agora também forçada a admitir que a Europa não é capaz de produzir máscaras em número adequado para esta crise. Os países ricos podem até comprá-las à China, se esta as disponibilizar. Os sortudos do sistema, que não eu nem tu leitor, dispõem dos seus aviões privados para se refugiar numa qualquer ilha da distante Nova Zelândia. 

Dado que este texto, apesar de certa ansiedade que possa provocar,  pretende tão somente indicar as causas desta epidemia e tomá-la pelo aspecto positivo, na esperança que tudo acabe em bem. Nada melhor para descontrair que ver o video [ Carregue aqui ] onde o pequeno e decidido Simón  se recusa a ir à escola. Acaba por descobrir, já dentro da escola, uma mão amiga que o ajuda a vencer a incerteza.













80,000
80,785
China
60,000
Almost 90% of global coronavirus cases are in four countries
40,000
16,966
All other countries
20,000
12,462 Italy
9,000 Iran
7,755 S Korea
0
22 Jan
26
1 Feb
5
10
15
20
25
1 March
5
10

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Boas-Festas e bom Ano Novo 2020

Boas-Festas e feliz 2020


  • Giotto  (1295-99) - Basílica Superior de São Francisco de Assis


sábado, 14 de dezembro de 2019

Comenda de São Cipriano de ANGUEIRA (1515)

Angueira -  Comenda nova (1515) 

da Ordem de Cristo (Tomar )

Quando a idade da inocência ditava as suas regras,  não havia pausas para reflexão. A liberdade de movimentos requeria-se total, apenas enquadrada pelas regras rígidas vigentes  para a garotada nos anos distantes do pós-guerra, dos anos cinquenta do século passado. Os retratos das figurinhas do Estado Novo impunham-se, pelas vibrações desmedidas da régua flexível aplicada com vigor ao estudante básico mal comportado, avaliado pela norma vigente de então. Agruras da vida da ainda imberbe rapaziada, que os períodos festivos acabariam por fazer esquecer.

Havia, como não, os anjinhos puros, de asas brancas, que se passeavam pelas procissões rituais, tentando-se conjugar a vida do aquém e do além. Os mais voltados para a vida terrena, eram simples figurantes de procissões com a dignidade imposta pelo conceito de cruzada, transportando a cruz simbólica de cruzado da Ordem de Cristo, com sede na cidade de Tomar.
Fig.1 - Cruz da Ordem de Cristo

Esta Ordem de Cristo foi criada em Portugal a pedido de Dom Diniz ao Papa Clemente V, após uma vitória diplomática relevante para a tomada de posse dos bens pertencentes à extinta Ordem dos Templários. Ver a propósito o video RTP 2, sobre a Ordem de Cristo. Clique aqui: [Ordem de Cristo - Tomar ] .

As comendas novas surgem em Portugal, após a vitória diplomática inicial de D. Dinis com  o Papado, conseguindo transformar a antiga Ordem dos Cavaleiros Templários sediados em Portugal numa nova ordem: A ordem de Cristo.


 Não se refere aqui, a primitiva  Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão,Cavaleiros Templários da Ordem do Templo, ou ainda simplesmente Templários. Foi uma ordem militar de Cavalaria, criada para protecção dos peregrinos europeus até à Cidade Santa de Jerusalém. Os estatutos da Ordem foram redigidos por São Bernardo de Claraval. As regras monásticas iriam ser seguidas pelos Cavaleiros Templários. Acontece que o pai de Afonso Henriques era primo de São Bernardo e, portanto, o parentesco com a influente figura de São Bernardo junto do Papado iria estabelecer uma sadia convivência entre os Templários e o início do reinado de Afonso Henriques, em Portugal, em flagrante contraste com a França.

Esta Ordem dos Templários tinha duas componentes: a religiosa e a militar. [Nas imediações de Angueira, a vila de Alcaniças , foi durante a Idade Média uma vila fortificada que pertenceu aos Templários , de que apenas resta a torre do Relógio]. Não esquecer também que Angueira dependeu do Mosteiro Cistercience de Moreruela. A vila fronteiriça de Alcaniças, registou um acontecimento histórico importante -Tratado de Alcaniças- firmado a 12 de Setembro de 1297 entre os reinos de Portugal e Castela. Na Península Ibérica, os Templários desempenharam o papel de combate ao invasor muçulmano, protecção dos territórios cristãos e preciosos auxiliares da conquista de território.
1 Charola do Convento de Cristo IMG 9454.jpg
Fig.2 - Charola do Convento de Cristo

A Ordem do Templo chegou ao 
Condado Portucalense ainda à época de Dona Teresa que lhe fez a doação da vila de Fonte Arcada (1126) e a doação do Castelo de Soure (1127), na linha limítrofe de separação dos territórios cristão e muçulmano, sob o compromisso de colaborar na conquista de terras aos muçulmanos. No reinado de Dom Afonso Henriques (1143-1185), a ordem dos Templários recebeu a doação do Castelo de Longroiva (1145). Pouco depois os cavaleiros da Ordem apoiaram o soberano na conquista de Santarém (1147) ficando sob responsabilidade da Ordem a defesa do território entre o rio Mondego e o rio Tejo, a montante de Santarém. A partir de 1160, a ordem estabeleceu a sua sede no país, em Tomar. Desde o início da nacionalidade portuguesa existiu uma estreita colaboração entre a monarquia e os Templários, permitindo a solidificação e conquista do território português. Gualdim Pais, mestre da Ordem, combatente templário na Palestina, ficou encarregado da construção do castelo de Tomar e de Almourol, para protecção da linha do Tejo contra o invasor muçulmano. A Charola de Tomar reflecte a ideia da arquitectura da  Basílica do Santo Sepulcro.


O processo de extinção da Ordem no país iniciou-se com a recepção da bula "Regnans in coelis", datada de 12 de Agosto de 1308, através da qual o papa Clemente V deu conhecimento aos monarcas cristãos do processo movido contra os seus membros. Em França, Filipe IV, o Belo (1307) levou à prisão a maioria dos Templários e levou a cabo uma política de enegrecimento da Ordem junto do Papado. Após várias peripécias e conflitos, Jacques de Molay, último grão-mestre da Ordem, foi  queimado numa ilha da cidade de Paris, em 13 de Julho de 1314. A Ordem dos Templários acabou por ser extinta pelo Papa Clemente V  em 1312.  Sobre os Templários caiu a acusação  de vários crimes de negação de Cristo, de práticas de iniciação pouco edificantes, de sodomia e de heresia. Os processos de julgamento não conduziram a provas suficientemente sólidas para acusação e condenação. Os processos dos Templários continuam ainda  hoje envolvidos em mistério, com abordagens nebulosas mesmo nos tempos actuais, adensando o mito do desaparecimento rápido, duma organização sólida e economicamente muito poderosa. 

Posteriormente, pela bula "Callidi serpentis vigil", datada de Dezembro de 1310, o pontífice decretou a detenção dos mesmos, mas não a sua condenação.



Em França, Filipe IV perseguiu e  prendeu a maioria dos Templários, culminando com a condenação à morte pela fogueira do seu grão-mestre. O rei Dom Dinis (1279-1325), a partir de 1310 procurou evitar a transferência do património da ordem templária no país para a Ordem dos Hospitalários  defendida pelo Papa, vindo a acabar por obter do Papa João XXII a bula "Ad ae exquibus", expedida em 15 de março de 1319. Por esta bula foi aprovada a constituição da "Ordo Militiae Jesu Christi" (Ordem da Milícia de Jesus Cristo, ou Ordem de Cristo ), à qual foram atribuídos os bens da extinta ordem dos Templários, contrariamente ao estipulado pelo Papa Clemente V (1312). A nova Ordem de Cristo,  após uma curta passagem por Castro Marim, com base na protecção e prevenção dos ataques de muçulmanos ao Algarve, veio a sediar-se, definitivamente, na cidade de Tomar em 1357. Em 1417, Dom João I ,obteve da Santa Sé, a nomeação do príncipe Dom Henrique para seu governador e regedor, e em 1421, pela mão do Infante, dá-se início à dinamização da Ordem de Cristo, modificando a regra de Cister para a de Calatrava, mantendo ainda a sua componente militar e religiosa. A sua visão estratégica conduziu Portugal ao seu zénite, respeitado e admirado por todos os povos europeus : Época das descobertas e expansão do Cristianismo pelas várias partes do globo.



A clarividência e a bem conseguida diplomacia junto do Papado, acabou por fazer reverter os bens dos Templários para a nova ordem de Cristo, e ainda forçando a Ordem de Cristo à autoridade régia. Inicialmente, a Regra da Ordem dos Templários obedecia espiritualmente à ordem de Cister (Mosteiro de Alcobaça), sendo modificada para a de Calatrava em 1421, como referido.

A Ordem do Templo durou cerca de duzentos anos ( 1118-1312), dependendo directamente do Papado e só respondendo perante ele.
Fig.2 - Actual Convento de Cristo (da Ordem dos Templários e  da Ordem de Cristo)
2. As regras e definições da Ordem de Cristo, foram encomendadas a Fr. Pedro Álvares Seco, compiladas em " Livro da Regra e Definições da Ordem de Cristo ". 


3. Os Templários, Bárbara Frale, Edições 70 Lda, (2007)



As comendas novas  de  D. Manuel - Rei e Mestre, entre elas a de Angueira e Palaçoulo, foram criadas na sequência de uma bula do Papa Leão X que permitia que uma renda anual revertesse a favor da Ordem de Cristo"

As regras dos Templários foram, então, veiculadas pelas faixas de cruzado, manualmente colocadas no pequeno figurante, nestes rituais de procissões, paredes meias com o rito pagão? A cruz que se transportava era apelativa e, que conste, todos caminhavam com garbo com tal distinção pelas ruas lodosas desta pobre aldeia, nos confins do mundo. 

Impunha-se a cruz  à rapaziada irrequieta e atrevida, numa faixa de linho, alva de neve, mas não se explicava a causa de tal tradição. Aparte a cruz, de geometria e significado preciso neste caso (Fig.1) , nada mais fazia desvendar um mundo de religiosidade extrema, conquista e aventura, saber e o trago amargo da morte dos Cavaleiros Templários.  Acontece que nunca há bela sem senão e nada acontece por acaso ou simples capricho dos deuses. Desta memória difusa, resta uma agradável lembrança e recordação.

A habilidade diplomática de D. Dinis fez com que se procedesse à transferência  dos bens templários para a nova Ordem de Cristo. Por posição conjunta de D. Dinis e Fernando VI de Castela, conseguiu-se que os bens dos Templários na Península Ibérica não fossem transferidos para a Ordem dos Hospitalários, como o Papado pretendia. Posteriormente, as ordens militares dos reinos ibéricos seguiram os seus próprios caminhos. Naturalmente, foram evoluindo com os tempos. O seu desenvolvimento é, por vezes atribulado, mas constitui uma matéria aliciante de estudo. Este texto, não é mais que um aliciante para o estudo dos Templários, ordens religioso-militares, o alcance do seu pensamento e a singela conclusão que nada surge por acaso.

As procissões, com crianças com faixa de cruzado, relembrando as cruzadas de outrora eram comuns à época e, portanto, não eram obviamente exclusividade de Angueira. Não há registo de fotografias locais do nosso conhecimento [ ou de quem as possa disponibilizar]. 

Porém, esta pequena localidade tem a sua história vinculada à criação das Comendas Novas da Ordem de Cristo do Séc. XVI, levadas a cabo por Dom Manuel.  No texto original refere-se :

"Ex ecclesia autem Sancti Michaelis de Angueira et Pallacoilo cum suis annexis in termino de Miranda de Doyro illius comendatario viginti octo et rectori sesaginta. "

1.  [As Comendas Novas da Ordem de Cristo. Século XV, de  Isabel L. Morgado de Sousa e Silva - Porto, 2012 - Militarium Ordinum Analecta, Vol. 13, pg.46 e 270] .


A bula "Redemptor noster" de Leão X, concedendo a D. Manuel I rendas eclesiásticas até ao montante de 20.000 cruzados para a dotação de comendas na Ordem de Cristo.

Para os interessados, V. referências 1 e 2 , para a implementação detalhada desta medida. 

As somas que reverteram para a Ordem de Cristo destinavam-se ao financiamento das empresas bélicas em  África, à expansão marítima e à evangelização das terras descobertas. Assim a história de uma pequena aldeia se cruza com os grandes desígnios de um povo e um pequeno contributo pode contribuir para grandes realizações. 

As sociedades são dinâmicas e os conceitos vão variando com os tempos. As intolerâncias religiosas também. Desde mudam-se os tempos, mudam-se as vontades dizia, Camões até ao refrão da actualidade: o mundo é composto de mudança. 

Existe um processo judicial, narrado no Jornal do Nordeste, onde se refere um acontecimento trágico da Rua da Costanilha  - Miranda do Douro, envolvendo um rendeiro desta comenda de São Cipriano de Angueira. 

"Para além disso, Francisco Rodrigues também era rendeiro, trazendo arrendada, ao “contador de Tomar” a comenda de S. Cipriano de Angueira, que era da Ordem de Cristo. E emprestava dinheiro, como se depreende dos objetos de ouro e prata que tinha em seu poder, empenhados." 

Clique aqui: Contador de Tomar . 

É sina do mundo de hoje ficar dependente de políticos, que por narcisismo projectam a sua fraca figura por cima de tudo e de todos.  Com base no mundo cósmico, de acordo com um certo político, [é só fazer as contas], para verificar o nível da sua insignificância. Quem sou eu, quem és tu? Há cerca de 200 mil milhões de galáxias. A nossa pequena nave (Terra) gravita em torno do Sol, fazendo parte duma pequena galáxia, na periferia da Via Láctea, constituída por 100 milhões de estrelas [Universo conhecido]. A nossa pequena nave serve de abrigo a cerca de  cerca de 7,5 mil milhões de seres humanos, de entre uma população de seres vivos de vários milhões de espécies. A comparação pode ver-se através do video. Comparação das dimensões do Universo em 3D [Comparação das dimensões de objectos no Universo ].  Portanto, tudo é relativo. Neste período, não há nada mais gratificante que um insignificante passageiro da Terra possa observar e contemplar a obra magnífica do Universo visível, com as incertezas associadas  à nunca respondida pergunta de quem o criou.