segunda-feira, 25 de julho de 2022

HISTÓRIA de ANGUEIRA- Breve resumo

    História breve de ANGUEIRA - Alguns tópicos.


Os tempos de pandemia e clausura permitiram cruzar-me com registos escritos da evolução do povoado de Angueira desde os tempos medievais até aos dias de hoje.  A descrição detalhada da evolução de Angueira pode vêr-se na tese doutoral de M. I. Alfonso Antón (1983), com particular incidência nos Séc. XII-XIV. As aldeias de Angueira, Ifanes, Palaçoulo e Constantim constituem um bloco histórico único, com história singular e temporalmente paralela, que se enquadra no processo de colonização dos monges de Cister do mosteiro de Moreruela (ou Moreirola), em território que bordeja a Meseta Ibérica e é a interface do território dos domínios de Leão e Castela e da então emergente nação portuguesa. 

Mosteiro de Moreruela

Este conjunto de aldeias situa-se na zona raiana e a sua singularidade resulta das indefinições de fronteira e áreas de influência oscilante do Reino de Leão e Castela e da nação emergente Portugal. A discussão da questão dos foros (fueros) tem sido objecto de vários estudos jurídicos ( entre eles Vaz Serra, 1929) e continua sendo referência actual de investigadores deste período da Idade Média. A importância histórica destas aldeias deriva do facto da implementação e controlo duma organização administrativa incipiente, revelando os vários interesses envolvidos, destacando-se os vários conflitos daí derivados quer no domínio religioso quer temporal. Muitas vezes, o poder de então exigiu a intervenção dos mais altos poderes: régio, eclesiástico e até papal.

Pela primeira vez, e quiçá única, Angueira teve um plano baseado na sustentabilidade económica. 

Esse plano atravessou várias gerações e regimes políticos, e acabou na década de cinquenta/sessenta do Séc. passado (1950/1960).

Irónicamente, as estruturas criadas pelos monges ainda hoje são (de modo geral) as existentes, andando o poder político actual apenas a gerir as ruínas das infra-estruturas por eles planeadas e deixadas. O ignorante e aldrabão Relvas e seus seguidores nada mais fizeram e fazem que não destruir obra feita. O actual poder, baseado na aldrabice do Relvas, apenas investe em palácios de burros e ao que se propaga pelos jornais, também agora em palácio de chifres. Aberração de historiadores, para os quais ao património histórico é letra morta, e diga-se, para abater. 

A história é importante e o seu conhecimento é basilar para se construir um progresso visível. Antes de entrar no assunto propriamente dito desta nota escrita, é necessário conhecer o contexto de acordo com o acima exposto.

É sabido que o futuro rei português (1143)Afonso Henriques era filho de D. Henrique de Borgonha que era neto do rei Roberto II de França e de D. Teresa, infanta de Leão, filha ilegítima do rei Afonso VI de Leão e Castela e de Ximena Moniz. Intitulou-se imperador de toda a Espanha desde 1077 (Leão, Castela, Galiza) e rei das duas religiões (cristã e muçulmana) com a conquista de Toledo (1085).{Deixa-se ao leitor o percurso atribulado, libertino, violento e sanguinário, da conquista do poder por Afonso VI. Refere-se, de passagem, que a herança deixada por Afonso VI aos filhos, foi partilhada e acordado por estes no lugarejo histórico de Ricobaio. A ligação de Afonso VI, através do casamento das filhas com figuras da região de Borgonha, permitiu a ligação ao mosteiro de Cluny e posteriormente a entrada dos monges de Cister. Dada a influência destes em Roma permitiu acesso mais fácil ao Papado}.

A história (em documento escrito) regista que  :

[Extracto da tese de Alfonso Antón, pag.316/319, em espanhol de fácil compreensão].

[Notar que: os termos villa e granja são praticamente equivalentes. Por extensão larga, próximo de povoado, aldeia.]

"Granja de Angueira. 

Poblacion portuguesa muy cercana a la frontera, poseemos suficiente documentacion como para seguir los pasos de la  ocupacion monâstica en esos lugares.

 1246 - En ese año los. monjes compran a los descendientes de don Tello, primer propietario del lugar, la mitad de la villa ' de Angueira, junto a Ifanes y Palazuelo, otras dos poblaciones cercanas que estudiamos mâs arriba, por 380 maravedis (72).

 1 2 5 6 - El monasterio compra a Sancha Laurenz y sus hijas dos partes de la cuarta de Angueira por 100 mrs. con tierras -  casas, suelos, vasallos, montes... y con los derechos que tienen en la iglesia. (73).

1 2 5 6 - El monasterio compra a Maria Rodriguez la tercera parte de la cuarta de Angueira por 50 maravedis. La formula empleada al hablar de las pertenencias es la misma del documente anterior. (74), 

1 2 5 7 — En este año los monjes compran a Alfonso Mendez de Bornes el sexmo de San Juan de Angueira, ademâs de très casales en Genicio, pagando por ello una buena mula. (75)- 

1 2 5 7 — El abad Guterius concede fuero a los vasallos de su villa de Angueira, regulando, mediante las disposiciones siguientes, las relaciones entre ellos: (76) 

-Se fomenta la viticultura (de las viñas que planten podrân retener très cuartas partes entregando la otra cuarta al monasterio),

 - Se establece monopolio del molino, por cuanto solo podrâ construirlo el monasterio.

 - Se fomenta la roturaciôn de nuevos campos "per saltus et nemora" .

 - Se perciben diezmos de cultivo y ganaderia.

 - El monasterio se réserva una parte para explotarla directamente. La existencia de la misma podemos deducirla de los siguientes datos: »

. Por las "geris" que demandan de sus vasallos para segar y recoger los cereales. 

.Por su interés en la construcciôn y posesion del molino.

.  Por los piélagos sobre la casa o granja del monasterio y el prado y la dehesa que se réserva imp diendo que nadie encienda alla leha o are, 

1279 - El monasterio concede en prestimonio la villa de Angueira -para conseguir la de Genicio- (77). 

1284 - Pleito por el que los monjes de Moreruela reclaman contra el caballero Ruy Paz por no respetar el cambio anterior. (78). 

1309 - El abad don Jaime y el convento dan a Alvar Ferez Pons, durante su vida, todo lo que tienen en Angueira (79) y en su término con un yugo de bueyes y con pan verde y seco (ademâs de lo que tienen en Santa Cruz del Yerrao) por - 2000 mrs. y los derechos que el prestatario tiene en Rio Manzanas y en Santa Cruz que recibirâ después de la muerte de éste. Los monjes retendrân, sin embargo, los montes de Santa Cruz permitiendo que Alvar Pérez Ponz corte la madera que necesite para si y no para otro,

1321 - Por Bula de Juan XXII se confirma el patronato del monasterio sobre las iglesias de Ifanes, Constantino, Palazuelo y Angueira. (80). 

Tenemos, pues, que los cistercienses de Moreruela irân - adquiriendo por compra la villa de Angueira de sus diversos proprietarios y una vez conseguida para regular sus relaciones con los habitantes de la misma, que pasan a ser sus vasallos les concede un fuero. Ademâs se réserva en la zona algunas tierras, piélagos, dehesas, etc., utlizando al menos para los grandes trabajos la mano de obra campesina de la villa, a la que exige ieras. Para la explotacion de estos bienes es seguro instala alli una granja. A veces se habla de nuestra casa de Angueira, y ya  vimos que este es termine que se utilisa corne sinônimo  de granja. Es posible que la explotacion directa como tal desaparezca al ser concedida la villa en pretimenio el año 1279. De todos modos, todavia en 1309 en que se cede a outro Caballero, vemos que el monasterio se réserva les montes de Santa Cruz. Lo que parece indicarnos que la dedicaciôn de la economia monastica hacia la ganaderia, al menes en esta zona, es primordial. "

A começar por 1246, os descendentes de Don Tello referidos no ponto I, aponta para o rei Dom Sancho, que doa grande parte do território de Angueira a Tello Fernandiz, com a assinatura de figuras proeminentes do Reino, por serviços prestados ao Rei. De notar, que na altura ainda sopravam ventos contra a invasão muçulmana e este território estava praticamente ermo.

{TEXTO em latim} -Doação de Dom Sancho a Tello Fernandis

In Dei nomine. Hec est carta donaciohis et firmitudines perpetue

quam iussi fieri. Ego Sancius Dei gratia / portugalensis rex, una

cum mea regina domna Dulcia et filius et filiabus meis. Vobis domno

/ Tello Fernandiz de illo nostro uilar quod uocatur Angueira

et est in terra de Miranda. Damus uobis hanc / hereditatem cum suis

terminis nouis et ueteribus sibut earn melius potueritis habere et

cum omnibus illis rebus / que nobis in ea pertinent, et concedimus

ut earn ut earn habeatis acque possideatis iure hereditario imperpetuum

et fa/ciatis de ea quicquid uobis placuerit. Et hoc facimus

pro bono seruicio quod nobis semper fecistis et facitis. Quicumque

igitur / hoc nostrum factum uobis integrum obseruauerit sic

benedictus a Deo amen. Nos super nominati reges qui hanc car/tam

fieri precepimus.coram subscriptis eam roborauimus et hec signa •

fecimus (signa)/ Qui affuerunt

(16 columna) ;

Maranus Braca(rensis) archiepiscopus cf.

Martinus Portugalensis eps. cf.

Petrus Lametensis eps. cf. .

Nicolas Visensis eps. cf.

Petrus ColinbrcHsis eps. cf.

{Assinaturas de entidades religiosas (arcebispo de Braga e vários outros bispos). Seguem-se  outras assinaturas}

A compra por parte do Mosteiro de Moreruela aos herdeiros de Dom Tello também são conhecidos e até a importância envolvida na compra-venda (380 maravedis).

"1246-settiembre. Compra que hace el monasterio d Urraca Tellez y Sancha,,Urraca y Gomicio Perez, herederos de don Tello, de la mitad de Angueira de Miranda, junto a Ifanes y Palazuelo, por trescientos ochenta  mrs."

    Para os estudiosos, e em particular para os leitores de Angueira-Atalaia, estes textos requerem uma análise detalhada e não se ficar apenas pelo tradicional "like", "dislike". Permita-me a Snra. Fátima Malheiro, colocar-lhe um desafio. Com belas fotos, fotografe e registe todos os moinhos, os seus cantos e esquinas, as datas inscritas em pedras de xisto maculadas pelos temporais, e fixe em foto o abandono das sucessivas autoridades intemporais. A arqueologia dos moinhos e as rodas, telhados e os engenhos da força motriz. Os moinhos arruinados têm que regressar à vida. É possível, e de uma vez por todas, tal como foi possível erguer edifícios pela própria população, há capacidade interna da aldeia de Angueira para reconstruí-los. Com contributo de quem quiser associar-se a este movimento. E há dinheiritos da venda da escola, vendida à socapa, e de dinheiros da represa original (do tio Alfredo) que não lança água para regadio como deve, e da exploração das hortas ribeirinhas abandonadas e dos "pelágios" ou açudes que permitiram a criação dum dos melhores peixes de água doce do país. E do lendário lagostim de pata branca.

No texto seguinte, destaca-se parte do documento de venda, efectuada em  1256 por Sancha Laurenz ao Mosteiro de Moreruela por 100 maravedis (moeda de então). O maravedi (ou morabitino) era a moeda que circulava em Leão, à época.

  • Nestas escrituras de venda, é referenciada a venda dos direitos sobre a Igreja ao Mosteiro de Moreruela e , enquanto tal, permite balizar a data da construção da Igreja e os seus proprietários iniciais. 
  • A complexidade das relações entre os vários poderes eclesiásticos (do bispo, do patronato das igrejas, da divisão das receitas entre eles) foi motivo de quesílias constantes entre os vários poderes eclesiásticos.
  • De notar que os deveres dos vassalos para com a manutenção do eclesiástico da sua comunidade, permitiu revelar fenómenos da peste, tal como se refere nesta citação:

" E igualmente en 1362, fecha en la que réclama le sea ratificado ese mismo derecho a presentar clérigo dela raciôn que tiene en la iglesia de Riego, ante el temor de que quede vacante si viene la mortandad por cuanto los hombres son mâs naturales de morir que de vivir (43), frase que muy bien parece reflejar esa época de pestes de mediados del siglo XIV, y sobre las que no tenemos ninguna noticia."


O morabitino ou maravedi era a moeda de ouro que circulava pelo Reino de Leão e Castela

Morabitino [Existem vários, de peso em ouro variável]

"morabitino, o seu nome deriva no tipo do Dinar almorávida moeda de ouro muçulmana que corria no norte de África e que foi o real e verdadeiro morabitino - veio a ser muito copiado e desvalorizado ao longo do tempo. Foi a primeira moeda de ouro batida no Portugal como reino Independente. ... Para iniciar a cunhagem de ouro do recém nascido Reino Portucalense, o nosso segundo rei D. Sancho I, copiou o prestigiado morabitino, lançado cerca de 150 anos antes pela dinastia Almorávida, já imitado com sucesso, se bem que diminuí no peso, por algumas das Taifas e pelos reis de Castela e Leão. ... O morabitino de Sancho I, é um excelente exemplar das moedas de ouro portuguesas. Mandados cunhar por este rei foram as primeiras moedas de ouro portuguesas e definem claramente o estilo característico da terra Lusitana. Esta moeda que serviria de modelo a múltiplas moedas feudais que se cunharam em França, nos Sés. XIII e XIV, com o tipo de “cavaleiro armado"". {Extracto de Monedas mediavales , nr.59}.


Em Angueira, o Mosteiro de Moreruela reservava para si a exploração duma "dehensa" ou seja uma certa área, ou território murado, exclusivo para o Mosteiro. Citámos:"

" en Angueira se habla de la dehesa de Ciragrillis que se reservan los monjes, asi como el prado de Don Tello, y otra dehesa que se deja al concejo. En Palazuelos también dejan una dehesa y prados para la granja y en Ifanes un prado."

A riqueza crescente  do Mosteiro era essencialmente atribuível a doações dos seus fregueses, dos dizimos e rendimentos das explorações agrícolas. Há quem lhe atribua o desencadear de um capitalismo larvar, porém, em nada comparável ao sistema feudal  que vigorava na Europa de então., o início da senhorialização do território, e na questão dos moinhos, o início do monopólio. A predominância da gestão do território viria a ser questionada, primeiro pela apropriação dos senhores da terra e mais tarde pelo domínio dos reis.

 Uma das possibilidades de pertencer à comunidade monástica,  residia no desejo de sepultura no Mosteiro desde que um terço dos bens, móveis e imóveis revertesse para o Mosteiro, após a morte.  Tome-se como exemplo : "Igualmente Pedro Perez Tyo y su mujer dona Sancha se reservan durante su vida -la mitad de las rentas de la heredad donada de Palazuelo deMiranda " . Doações régias contribuiram, fortemente, para o desenvolvimento da colonização cisterciense, na zona norte raiana. O mosteiro admitia tanto a nobreza local como simples fregueses. É neste contexto que foram doadas ao mosteiro algumas casas, ainda hoje existentes. Com o declíneo da autoridade monacal, vão surgindo novos poderes, com a imposição do poder régio e/ ou seus delegados (cavaleiros). Uma contenda jurídica entre o cavaleiro Ruy Paz e o Mosteiro foi decidida por Dom Dinis, a favor do Mosteiro.

A esta querela refere-se ainda Alfonso Anton da seguinte maneira :

"Solo conocenos un prestimonio  que tal vez pudiéramos -calificar de noble, en funeion no ya de la persona a*quien se -hace sino por el servicio mi]itar que lleva anejo. Se trata de -un pleito, auenencia y yemplazamiento por el que cl monasterio entrega a un caballero portugués en prestimonio la villa de Angueira con 100 mrs. annuales y en mamposteria los bienes que Moreruela tiene en Miranda y 30 mrs. annales para que los proteja y defienda como suyos proprios "(lealmente deffendades elas nostras cousas elas enparedes e as requirades e as demandedes assi comose fossen uossas c uos non seerdes poderoso de corner, nen de pedir,rien de tomar nenguna cousa aos nossos uassallos o quando noscbatfiarmos para nossa aiuda ou para nos so deff ondemento uos irdesa elo e nos proueermos uos de comer a uos e a uossos homees e a uossas besclias). A cambio el caballero Ruy Paz devuelve la villa de Genicio que tenia en prestimonio del mismo monasterio, y se -compromete a defender y protéger todas las posesiones de Miranda como si fuese su propio heredamiento "

Acontece que Ruy Paz não aceitou a devolução do prestimónio  de Genísio-ou seja  a  inclusão do termo de Vilarinho em Genísio, acabando por ser derimida a contenda pela intervenção de Dom Dinis a favor do Mosteiro.

Ruy Paz e Maria Rodriguez ,sua mulher, certamente se passearam pelas casas daquele tempo, que ainda hoje se mantêm de pé, reclamando conservação urgente. A cruz que domina a casa actual decerto foi testemunha de muitas visitas monásticas. A característica construção redonda (provavelmente  um forno) certamente mitigou a fome a muitos vassalos de Moreruela. Naqueles tempos duros, a introdução do barro e da palha nas paredes espessas ajudaria, certamente, no combate ao frio em noites invernosas e frias. Construídas sobre fragaredo de xisto. Os casebres , húmidos e frios, não resistem ao modelos de arquitectura actuais. Mas podem ser adaptadas aos tempos modernos com carácter distintivo.

Cruz medieval





Casa - Medieval


















Lobo Alfa - Alcateia [Inverno] ? Real ou manipulada?

















Foto de A.F.M.  !  Cor (Verdadeira ou manipulada?)















QUESTÃO : (dirigida aos conhecedores do terreno)

Onde poderá localizar-se esta "dehesa" ou terreno murado, designado por Ciragrillis? À primeira vista deverá localizar-se nas proximidades do moinho (do tio Alfredo). Ainda existirão vestígios?
Procuram-se respostas.

Onde se localizaria o prado de Dom Tello? De informações particulares, as parcelas de terreno junto à ribeira, e que se estende entre os dois moinhos (o dos Lucas e o do tio Alfredo) resultaram da partilha do terreno, por sorteio, pelos habitantes de Angueira(em tempos recentes), sendo antes terreno aberto.


DESAFIOS REALIZÁVEIS

1. Fotografias, sem limite, do suposto moínho de Don Tello (?tio Alfredo?Outro?) para reconstrução do mesmo, hoje em completa ruína!

Foto do moinho [Senhora] (01-09-2009)

2. Medição rigorosa da área ocupada pelo moínho e da sua volumetria. Registar fotograficamente, o remanescente da estrutura (telhado;outros).

3. Há um conjunto de arquitectos (as), naturais ou com vínculos a Angueira cuja tarefa será colocar no papel um projecto de reconstrução do moínho e todos os mecanismos para a produção da força mecânica. [Trabalho "pro bono"]

Nota: Todos os interessados (sem excepção) poderão deixar os seus contactos, através dos comentários deste blog. Óbviamente, existem vários problemas legais que precisam ser superados por negociação com vários intervenientes.






sábado, 16 de abril de 2022

Boa Páscoa - 2022






1. Captura de Cristo (Caravaggio~1602) 


2.Para ver o quadro" Ressurreição de Cristo de Rafael(~1500), clique no link abaixo"


Resurrection-oil-Christ-wood-panel-Raphael-Sao-1502.jpg (1290×1600) (britannica.com)

Passados 2000 anos
sobre estes acontecimentos, as nações e os homens pouco progrediram em termos de humanidade.




domingo, 6 de março de 2022

 Novas sombras sobre : Ano 2022

Sombras tenebrosas quando se ameaça com misseis nucleares.

A invasão da Ucrânia.


À incerteza associada ao evoluir da pandemia COVID-19, junta-se agora a virulenta e execranda invasão da Rússia à Ucrânia, comandada por Putin, com base em ideias obsoletas que fizeram escola em vários csares loucos que o antecederam no poder. Para compreender o presente, é necessário mergulhar na história profunda da Rússia, desde as suas origens medievais, passando por Catarina a Grande até ao fim dos  Romanov (1917). Com todo o cortejo de horrores sobre a população dos campos, com partilha da Polónia à mistura. A revolução russa de 1917 conduziu a um beco sem saída. As várias revoluções e conflitualidades internas que grassaram pela Rússia dos sovietes ainda movimentam as ideias obsoletas da governança actual.

Putin é o último dirigente russo, após a dissolução da USSR, da queda do muro de Berlim e das várias convulsões nos países balcânicos. É o resultado das várias erupções europeias recentes, das guerras europeias (Grande Guerra I, e a guerra patriótica russa de 1941-1945) sobre o território europeu. Todo o capital de respeito, ganho pela Rússia na II Grande Guerra desperdiçado. O povo russo vilipendiado em todo o mundo, por um megalómano, autocrata e desprovido de humanidade.Mas a estratégia, sabe-se, nada tem a ver com moralidade e ética. Ideias nacionalistas exacerbadas, conquista de território, conquista de mercados comerciais, armamento, desmembramento e  derrota de vários imperialismos  constituem elementos perversos de base para a actual situação.  Já julgados ultrapassados.

Invasão russa da Ucrânia (dia9). A resistência valente de todo um povo.


Não é possível num simples texto apontar sequer os momentos marcantes da história da Rússia [V.por exemplo:"Imperial Russia 1869-1917, D. Lieven (Cambridge) ]. Putin é apontado como um saudosista do antigo império czarista, um autocrata com a agravante de ter poderio nuclear. A Ucrânia tem a sua própria história. No período medieval, dominou a Rússia de Kiev. Após a invasão Mongol, o seu território foi dividido em parcelas que foram dominadas e passaram posteriormente  de mão em mão (Polónia-Lituânia, Austria-Húngria, Império Otomano). Toda a miscelânea de eventos históricos se cruzam na Ucrânia. A Ucrânia, após a Revolução Russa de 1917, juntou-se à União Soviética em 1922. Ganhou a independência em 1991 com a dissolução da União Soviética, declarando-se um estado neutral. Ficou com um vasto litoral, com acesso ao mar de Azov e Mar Negro. Em 2013, a deposição do governo pró-russo em favor dum governo pró-ocidental, foi visto pela governança russa como uma ameaça à Rússia de Putin.  Foi o pano de fundo, para a tomada da Crimeia em 2014, perante um mundo ocidental apático e negligente perante um Putin  que muitos dirigentes europeus reverenciavam. Ressuscitou a velha teoria do cerco hitleriano. 

A Alemanha pensou acalmar  os acontecimentos com a suposta docificação de acordos comerciais e energéticos. Agora verificou o logro em que havia caído e, de súbito, decide aprovar 2% do PIB ao rearmamento alemão. A Europa, desprovida de meios militares, coloca-se na dependência dos Estados Unidos. Brincar com o poderio das armas nucleares não é, propriamente brincar com bombas de carnaval. Os USA têm enfrentado com pinças este problema e toda a prudência se exige neste momento. A Alemanha, por razões óbvias, não é uma potência militar nuclear e até o exército convencional fica aquém do desejado. Por razões óbvias também, a França tornou-se uma potência nuclear.



Embora os eventos históricos actuais requeiram uma análise interpretativa aprofundada pelos vários especialistas, os povos não precisam de grandes teorias políticas para  justificação de uma invasão militar dum povo soberano e independente : Ucrânia, por um exército russo de proporções gigantescas. A isto chama-se guerra, sem eufemismo. Com todo o cortejo de atrocidades que uma guerra provoca. Admira-se a coragem do povo ucraniano e pelo combate e dolorosa experiência ganhou já o direito de pertença ao mundo ocidental.

Nada justifica a invasão da Úcrania e a condenação é total. Sem mas, nem meio mas. A responsabilidade desta tragédia de aventureirismo é da Rússia. Pretender, ainda que veladamente, admitir a discussão das pretensas razões da invasão é raciocínio que não colhe. Dirigentes avisados do PCP caíram nesse logro.  Tardiamente perceberam que jogaram fora muitos dos seus anos de luta.

Os acontecimentos históricos da Primeira e da Segunda Grande Guerra permitem ver todas as saídas para a crise actual. Todos os historiadores as conhecem. Há antecedentes históricos que descrevem com certo detalhe o cerco de Alésia por Júlio César e a guerra encarniçada de Estalinegrado, que nenhum russo desconhece. Porém de entre elas, é quase impossível prever qual irá prevalecer. Não são desejos de convulsões internas na Rússia que resolverão a questão. Todos os ingredientes de Hitler estão colocados no tabuleiro. Hitler foi vencido pela força das armas. O povo alemão foi responsabilizado. O trauma do povo alemão só agora começa a ser superado. Logo na Primeira Guerra, se levantaram vozes contra a humilhação dos vencidos. 

o cidadão tem, como obrigação, formular o juízo de valor sobre os acontecimentos. Afastado da imprensa e propaganda sectárias. Assim as cadeias de TV, justificam as invasões do Afeganistão, do Iraque, da Líbia pelo mundo ocidental. A imprensa portuguesa contra os oligarcas russos, esquecendo os oligarcas ocidentais, a questão das offshores, dos Panama Papers e similares. Dos comentadores políticos, que tudo explicam, excepto a questão dos submarinos. Vampirismo da informação que facilmente esquece a pandemia da Covid-19, quando notícias frescas da guerra mantêm as audiências.

Resta aos homens, com poder e humanidade prevalecente, ditar a saída deste Agamemnon, para lá do dantesco. O de "Day After" é ,por ora desconhecido, esperando que seja negociado um acordo equilibrado para ambas as partes, com um silêncio imediato das armas. A Ucrânia já ganhou o direito a um território independente, pela luta e resistência ao invasor bárbaro, mas ainda de desfecho militar imprevisível.



Under Russian control

Russian invasion routes

Russian paratroopers reportedly land in Kharkiv and engage in heavy fighting with Ukrainian forces. Shelling and missile strikes on the city continued overnight

Belarus

Poland

Areas under

Russian control

Konotop

Russian military convoy reached

Antonov airport, which could serve

as a forward-deployed base

Chernihiv

Sumy

Russia

Kyiv

Lviv

Line of

control

Kharkiv

Russian units spotted

at Bobrovytsya

Ivano-Frankivsk

Kramatorsk

Dnipro

Ukraine

Melitopol

Moldova

Russian-

controlled

territory

Odesa

Sea

of Azov

Romania

Crimea

Annexed by

Russia in 2014

Russian forces took control of the railway station and the port in Kherson overnight

Mariupol reportedly surrounded by Russian troops

100 km

100 miles

Black Sea

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Ano de incertezas-2022

Ano de incertezas-2022 
30 de Janeiro de 2022. Horizonte carregado em votos contados

Este ano começou com ataque frontal da nova variante do Coronavírus 19 -  Ómicron. Para amenizar o texto, indica-se abaixo um canal de vídeo de português, que vai testar o conhecimento da língua portuguesa pela juventude que se passeia por Madrid (vídeo1) e um outro que permite testar a pronúncia de  certas palavras portuguesas  (vídeo2). Pode assemelhar-se ao discurso político português dirigido aos votantes de 30 de Janeiro de 2022. Há tantos discursos políticos quanto os partidos, parecendo mais um encontro aprazado numa qualquer torre de Babel, em diálogo de surdos. Ouve-se vozes desgarradas, que de acordo com a ideologia de quem lê, se transformam em arma de arremesso contra os adversários políticos. De Estevais, solta-se um texto que ecoa através das serranias transmontanas e cai nas malhas da imprensa da capital do reino falido.

 Associando pensamento e ação ao texto, constata-se que há uma clara injustiça de base que atinge as serranias e os horizontes de Estevais, que se perpetua por tempo infinito, mas quando se junta a ação que à gritante injustiça conduziu, todos os partidos que passam e têm passado pelo poder, se brancos, vermelhos ou das 256 variedades de cinzento, todos são responsáveis por tamanha injustiça.

Há tantas leituras quanto os leitores, mas é estranho que o texto seja veiculado e idolatrado, por alguns observadores e blasfemos. A sua leitura depende do olho com que se lê, se com olho esquerdo se com olho direito. Os políticos são o que são, mas não são o que deviam ser. E nem sempre há coerência. Veja-se o caso do combóio de Bragança, abatido sem contrapartidas pelo PSD, ou a construção da auto - estrada A4 e túnel do Marão, construída com dinheiros públicos (no reinado Sócrates) em contraponto com as ideias mesquinhas do PSD, que se interrogava para quê uma autoestrada. Tentei, em tempo chuvoso, atingir Estevais por uma estrada que permitia uma visão panorâmica do soberbo rio Sabor. A realidade forçou, rápida, a uma inversão de marcha e apontou o meu destino pelo vale da Vilariça.  Do Tempo contado, surgem algumas  pequenas peças de registo, Cruzes Canhoto (09.01.22) e Entre fardas e fatos o Diabo escolha (14.01.22).

O reino maravilhoso de Trás-os-Montes não existe, nem nunca existiu. É descrição de escritores e poetas. Do pequeno país Portugal, os pintores fazem os seus esboços e os políticos também. Os debates televisivos Rio-Costa e suas variantes mostram, à saciedade, as cambiantes do pensamento e acção. Comentadores e comentadeiras debatem-se  pela atribuição de vitória no fim do debate. Dissecam, em terminologia fina, as questões apresentadas. Não se coibem os analistas de dar notas. Nada comparável, à sala de operações de um qualquer operador clínico, cuja ação envolve sempre certo risco. Este conjunto de falsas estrelas e videntes assumidos não passam de meras peças da engrenagem. Amplificam, de acordo com as suas deficiências críticas e sectárias, os dúbios debates políticos. Não passa de conversa da treta, em tudo semelhante aos comentadores de futebol, que se passeiam pelas televisões, com ar doutoral, a discutir um penalti não existente, mal assinalado ou mal validado, em jogo ocorrido há uma semana. Discute-se o passado, lava-se o presente em taberna, de copo na mão e exaltação clubística. Os seguidores cegos destes agentes de imprensa e propaganda levam , na prática, ao estado deplorável do país. Espezinham os interesses da população, em detrimento dos seus interesses, individuais e de grupo, conveniente ampliados para os verdadeiros detentores do poder: os grupos económicos e o capital.

Para fugir ao pequeno rectângulo, divague-se pelos territórios dos ancestrais Vetões onde a porca de Murça tinha como primos aparentados os verracos  das terras salamantinas e mirandesas. Tudo está registado em  terras Las Hurdes, Tierra sin Pan.  Buñuel descreveu a terrível situação em 1933 [Filme a preto e branco, com várias limitações para visualização. Existem versões recentes]. Anteriores rumores sobre a terrível vivência das pobres gentes de Las Hurdes haviam chegado ao próprio Rei Alfonso XIII (em 1922). Constitui um caso extremo. Os politiqueiros, em vez de debitarem conversa da treta, deviam ser forçados a repensar a temática, procurando a melhor e possível abordagem e solução destes problemas reais. Lá está a pobreza dos campos, o trabalho hercúleo para a subsistência, a insalubridade das casas de xisto,  a doença generalizada e a doença especifica. O abandono e a ignorância dos mandantes. Precursores do abandono generalizado dos que tinham ainda alguma força física e vontade de partir.

As casas transmontanas, insalubres, pedrenhas e sem argamassa, cegas pela ausência de janelas, ainda hoje enfrentam as intempéries dos tempos modernos. Continuam na marginalidade da civilização, à vista dos politiqueiros, gordinhos por bem  nutridos. Alguns chapinham na lama da corrupção . Alguns, condenados pelos tribunais, são reciclados pelo voto popular.

Há paredes vetustas em Trás-os-Montes, em tudo semelhantes às das alquerias (populações dispersas) que resistiram, ignoradas pelo poder, até ao Séc. XXI. Embora desaprumadas ainda resistem aos tempos actuais, mas não os homens que ainda as habitam e conservam de pé. Ao mundo das Idealistas nada diz: não têm valor comercial. O deserto humano cresce à vista dos politiqueiros.


Fig.1 - Las Hurdes (Espanha)
A zona ribeirinha de Lisboa a Cascais consome o erário público e cavalga o poder. Um cidadão transmontano, vagueando por Lisboa, pode exercitar-se na matemática, contando pilaretes, bicicletas e radares de controlo de velocidade. 

A bicicletomania importada das Terras Baixas. A UNICORNIO.mania importada, agora, de novas paragens. Modinhas passageiras que politiqueiros da treta manipulam com mestria. O essencial da vida humana: trabalho, saúde e bem estar  das populações indígenas desprezado. Realisticamente retratado nas terras de Las Hurdes, terra sem pão.

Veja-se, discuta-se, critique-se as semelhanças e diferenças das fotografias que se sucedem (de entre muitos exemplos) com o fenómeno da desertificação em Portugal . Tome-se como exemplo a aldeia abandonada de Drave (Arouca).  O futuro de todas as fotografias indicadas está escrito, se entretanto nada for alterado: com ou sem bazucas.

Fig.2-Drave-abandonada(Arouca)
O abandono é essencialmente ditado pelos fracos recursos do território. Mas nem sempre. O benefício económico das barragens do Douro não reverte a favor da sua bacia hidrográfica, mas os mandantes do reino (sem distinção de cor política) sempre arranjam benesses para o grande capital. É da mais elementar justiça, a defesa dos defensores da causa centrada na Associação das Terras de Miranda e a intocabilidade de algum dos seus membros (em particular do expert em impostos, JMP).  É necessário começar a bater o pé, à elite mandante lisboeta. 

Ninguém dá nada a ninguém e é pela via da injustiça gritante que germinam pré-revoltas e revoluções (umas boas, outras de consequências funestas).

Fig.3 - Estevais

Pode percorrer-se muito território de Trás-os-Montes e constatar-se que o panorama não muda substancialmente de aldeia para aldeia. O poder centrado em Lisboa tende a classificar esta região como pobre, e é um facto. Todavia, as parcelas de riqueza aqui existentes em nada beneficiam as populações locais. Ao caso das barragens, deve juntar-se também a exploração de minas. No caso mais recente, a exploração de lítio, tal como no passado a hematite de Moncorvo. Não esquecendo o, já distante, saque do ouro da Ibéria pelos Romanos.



As populações, normalmente sem grande capital, tentam fazer o que podem. Veja-se, abaixo, a tecnologia obsoleta para a resolução das trilhas. Muitos têm presente ainda tal máquina, por vivência própria. A tração animal foi substituída pelo cavalo-vapor do tractor, como se sabe. Porém, a agricultura de subsistência persiste e a comercialização dos produtos agrícolas é inexistente. 



Fig.4-Arqueologia industrial (Angueira)

Em contraste, quando tem que ir ao Supermercado, em geral associado ao grande capital, paga e paga bem pelos produtos que consome na alimentação. Falta toda a cadeia de produção, armazenamento, rede de frio e cadeia de distribuição. Os Ministros da Agricultura passam pelo poder 
centralista de Lisboa, como simples passageiros que cavalgam o poder.
A tentativa válida do Eng. Camilo de Mendonça acabou no insucesso, com culpas atribuíveis a muitos. Mas em Portugal, a culpa morre sempre solteira.


Nos debates políticos televisivos transparece, de forma clara, o desejo, a ilusão e a fantasiada mentira. Todos navegam nas asas do desejo e da fantasia, com promessas vãs de mudança mas com a finalidade última de que tudo fique exactamente na mesma. A evolução do caso extremo das Terras das Hurdes (Espanha) deve ser confrontada com as mais favorecidas aldeias portuguesas pela natureza (apesar de tudo). 

O caminho tem de passar pela industrialização do país e pelo aproveitamento dos recursos naturais, em favor das populações. Ensaios tímidos de mecanização facilitaram a vida às populações rurais. Que o digam os homens, as mulheres e a juventude do passado que colhiam o seu pão pela travessia,  esforçada e trabalhosa, das trilhas. A mecanização e os fundos europeus permitiram que Angueira possua cerca de 40 tractores, força mecânica excedentária. Falta: objectivo agrícola, produção ,organização, planeamento e venda de produtos. Não são, em exclusivo, responsáveis pelo desenvolvimento ou falta dele os políticos lisboetas. Em certa medida, há concessão de subsídios a mais para produção a menos. A população das Hurdes vivia e alimentava-se (grosso modo) da criação de cabras e usava a força asinina como animal de mobilidade e tração. Até que alguns começaram a abandonar as ingremes e inacessíveis terras das Hurdes, e  em cadeia fugiram destas terras da pobreza e miséria. Não difere muito da triste realidade portuguesa. Porém o fenómeno não é novo . Com o comércio das especiarias, lá pelo Campo das Cebolas, a migração dos campos para a cidade conduziu ao abandono dos campos. Tal como aconteceu com  as muito respeitadas Ernestinas que se dirigiram à cidade. Contrariamente, à avarenta  e protestante Holanda.

O presente é como é, e é de todos conhecido. Campos agrícolas produtivos abandonados. A subsidio-dependência causa uma dolente predisposição para o dolce fare niente. As autoridades político-administrativas locais exercitam-se na multiplicação da papelada para os cobres europeus. No passado, quando um aluno liceal obtinha o 5º.ano, era quase elevado ao estatuto de doutor. Hoje, a juventude actual com verdadeiros cursos de Doutor, são atirados para as caixas de supermercado. Uma vergonha! Em tempos não muito distantes, todo o freguês das aldeias que passasse pela tropa, tinha com forte probabilidade acesso a carreira policial. Hoje, esse filão das aldeias acabou. Deixando todo um vazio, nos campos e uma juventude citadina-seus filhos, sem futuro.  A estagnação económica deste país é real, e já vem de muito longe, não basta os políticos clamarem pela culpabilização do partido A ou B. Nem qualquer Holanda se pode declarar neutral e de virgindade evangélica. Gentes da Entente contam história e histórias.

A destruição do tecido industrial português propagou-se por todo o período conturbado da revolução. Não se seguiu uma re-industrialização do país. Ficaram algumas auto-estradas e a fantochada cavaquista dos BPN e similares. E a factura da corrupção para o cidadão pagar, com juros fantasmagóricos. Até aqui, a Europa rectificou o erro do tratamento punitivo dos povos :português, grego e irlandês. A época dos juros baixos que se seguiu está a acabar. Não restem ilusões: os tempos próximos serão de aumento de juros e claro está: mais uma vez o povo português vai ter de pagar as dívidas em atraso. Claro que os iluminados vociferam contra o funcionário público, responsável por todos os horrores do reino. Pelo menos, as Universidades Portuguesas públicas não produziram o aldrabão Relvas. E, sua Excª -P. Coelho, o homem troikiano que queria ir para o além da troika. Mas existem francisquinhos que se autointitulam genuínos seguidores da dupla Passos-Portas. E os Montenegros  que, agora de mansinho, baixaram a cauda perante o líder. Dispostos a atacar no próximo round.

Ouvir os politiqueiros falar de baixa de impostos, é pura música rock e da pesada. Nas ciências exactas ou nas  que delas se aproximam, há raciocínios elementares que permitem testar as saídas dos mecanismos envolvidos: Fluxo de entrada (IN)....💬....fluxo de saída(OUT). A diminuição de impostos significa, menos entrada de dinheiro nos cofres de estado, e portanto, menos dinheiro de saída. Os organismos que recebem dinheiro do estado (SNS, por. ex.) entram em coma. A Administração pública, definha e morre. Os salvadores libertadores de impostos, por magia e manipulação das mentes, propalam aos quatro ventos as delícias do neoliberalismo. Os Chega  atiram setas férreas contra tudo e contra todos.

Juntam frases sonantes (fluxo de entrada), cozinham-nas ( ...💬...), e como fluxo de saída: Sai asneira. Não esquecer que  IL e Chega se metem no sistema, para ir vivendo à custa de tudo o que dizem combater. 

Mas há um certo fundo de verdade. Há impostos, taxas e taxinhas a mais. Chegará a um ponto,  em que a garrafa ficará cheia e dependendo do gás pode explodir. Todos os politiqueiros sabem que o perigo espreita.

É curioso notar que a palavra e o palavreado, polido mas banal, ficam retidos nas cidades (Lisboa e Porto) ou seja no mundo civilizado dos politiqueiros. Faltar água corrente, electricidade, gás, Televisão, Internet, redes móveis nas aldeias transmontanas, beirãs, minhotas e similares, é uma maldição. É uma tristeza, lamentam, que estas manchas existam por tantos lugares. C´est la vie! responderão.  Do alto de cátedra, invocam teorias sobre todos os "ismos" possíveis que vão atravessando as cidades, por tanta  largueza de tempo. Acenam com o perigoso mundo de um Nuno Santos, que anda a peregrinar pelos combóios e, brincando aqui, pelas vias férreas abatidas (Sabor, Tua, Corgo) entre outras. O desemprego também atinge os politiqueiros de fim de linha. Inventa-se a regionalização para assentarem o fofinho no pote pecuniário das regiões. As regiões pobres continuarão a pedinchar dinheiro à capital do reino.  Nessa altura, o poder lisboeta rirá, com ironia. Vai trabalhar malandro: quem não trabuca, não manduca!

O desenvolvimento das regiões exige novas abordagens e, sobretudo, industrialização equilibrada de todo o território. Há muitas fábricas (instaladas nas imediações de muitas auto - estradas; o viajante, vê!!! mas  que não estão instaladas na província porque não! Há quem responda também porque sim! Não basta ficar num muro de lamentações. Pensamento há algum, acção pouca. Alguns mandantes do território colaboraram na farsa e mentira fossilizada da associação de antigas freguesias. Não as defenderam como deviam. Invocam, o respeito pela lei. Não têm ou não tiveram independência de pensamento. 

Mas esta maleita cresce, a partir da meninice. Sem qualquer ofensa e com todo o respeito pela sua posição pessoal, em vista cruzada pelo Facebook de Angueira-Atalaia, registei o pensamento de um tal escrinheiro Manuel João, que se interrogava sobre a ausência de publicidade de certa medida do CIM-TMM. Segui o tema (Clique aqui e mais pormenorizadamente: CamaraMunicipalVimioso. 

Então, a propagandeada redução do preço dos bilhetes significa, mais uma vez que os beneficiados são os utilizadores dos autocarros intermunicipais. As aldeias da periferia de Vimioso continuam a chuchar no dedo.

1.  Com as verbas PRR não há motivo para não ligar, por autocarro (de menor capacidade eventualmente ) as aldeias periféricas: Angueira, Avelanoso, Vale de Frades, Serapicos e Sâo Joanico. ao município (vila) de Vimioso.

2. a) Há rubricas na CMV que podem ser alocadas para a construção de um pequeno desvio que permita o trânsito de veículos longos. Há várias alternativas, com custos mínimos. É fácil perceber que permite a ligação Sendim, Caçarelhos, Angueira,...Espanha.

b) Fácil é entender que não se pode meter o Rossio na Betesga nem se pode modificar o raio de giração dos veículos. Acresce que houve, pelo menos 11 acidentes no local, sendo, portanto, uma zona de alto risco. Acresce que foram decisões passadas da CMV que estão na base do actual estrangulamento.

c) Procurando vêr um pouco para lá da Igreja de Vimioso, fácil é concluir que os projectos europeus (vários em torno da Igreja) não se esgotam aí. Basta mudar o chipe para: Faça-se obra nas aldeias  porque sim!

Para homens de barba rija, turistas e jovens, a bajulação do poder não compensa. A cabeça serve para pensar o futuro e não apenas para embelezar os ombros. Os combatentes da Pátria, que no passado arriscaram a sua própria vida exigem-no e os seus descendentes reclamam-no. Esta pequena crónica, escrita ao sabor  do acaso em  teclado electrónico, poderá servir para mostrar que não há tantos inocentes quanto os politiqueiros pensam. 

Não é pelo facto do território de Trás-os-Montes ser predominantemente de côr  laranja que a pobreza é tendencialmente erradicada. Pobreza que se mede também pela literacia digital, pela rede de comunicações, pelas vias de comunicação, do conforto térmico e das novas temáticas e  discursos em moda pelos meninos da burguesia de Lisboa a Cascais. Claro está, que não é responsabilidade exclusiva da Administração local, mas quem cala consente. Angueira tem um rio com o seu nome.

Os Vales do rio Angueira, Sabor e Maças merecem tratamento consentâneo. Têm identidade própria.
As margens aprazíveis do rio Angueira merecem atenção. Abandonado até aqui, não passa de um rio selvagem. Há património edificado. Há que explorar o turismo rural. Façam obra, não se finja que se desconhece. Lamentos avulsos, aqui e ali contados, conduzem apenas ao nada, nadinha. Em simples terminologia: nada é equivalente a uma faca, sem lámina nem cabo. A faca real pode servir para cortar queijo e quem tem poder tem, simultaneamente, faca e queijo na mão. Exerça-se em benefício das populações desde sempre desfavorecidas. No que aos transportes diz respeito fique-se com a abreviatura :  A-A-VF-S-S.J. Tente identificar as aldeias sem transportes, dependentes da CMV. A menos que se ponha à disposição, o conjunto de burros do palácio de cristal. Mas destes estimáveis peregrinos, já os seus habitantes têm plena ciência.

No meio desta intempérie do COVID-19, selecione o pensamento e a acção que mais se ajustar ao seu voto. Dos métodos usados nas ciências exactas, infere-se que o símbolo ...💬... exige conhecimento detalhado para uma boa solução (fluxo de saída). Palpites e graçolas, dizem alguns, não bastam para uma boa governança. A PAF amargurada não consegue viver com a sua tragédia. Do triângulo Cavaco-Passos-Portas nasceu, por incompetência PSD, a nova partidarite: IL e Chega. De vários saiotes saíu a dívida pública portuguesa (130% do PIB). Contas são moderadamente fáceis de fazer. A solução para Portugal há -de provir de trabalho árduo de todos os sectores de actividade.  Há muitos politiqueiros da praça que deviam começar pela manipulação e uso continuado da foice, em situação de ceifa real (segada). Comandados por habitantes de serrania, bem calejados na lide. Dar-se-ia, então, valor às aldeias abandonadas e ao pão amargo de outrora.











domingo, 19 de dezembro de 2021

 Boas Festas de Natal 2021


Fig.1 - Nascimento de Jesus




Fig.2 - Notre - Dame de CHARTRES

A catedral de Nôtre-Dame de Chartres foi inaugurada no ano de 1260. Por volta deste ano, houve a doação de algumas casas de Angueira (ainda existentes) ao Mosteiro de Moreirola. A catedral gótica é celebre pela sua estatuária e pelos seus vitrais. À religiosidade católica do Séc. XIII, associou-se a lenda do manto (Sancta Camisa) que teria pertencido a Maria, mãe de Jesus.  Este manto sobreviveu a um terrível incêndio, de uma catedral anterior à actual. Faz hoje parte do tesouro da Catedral.



Fig. 3- Manto da "Sancta Camisa"


Boas Festas!


sábado, 11 de dezembro de 2021

 Ómicron, a nova ameaça

A mais recente modificação do vírus COVID-19, a variante B.1.1.529 descoberta na África do Sul, ora conhecida por Omicron, levou a Organização Mundial de Saúde (W.H.O.) a recomendá-la como variante " de preocupação". Para a Organização Mundial de Saúde, há evidência preliminares de que se trata  de uma nova estirpe que transporta um "maior risco de infeção que outras variantes de preocupação". 

Todas as precauções assinaladas nestes textos durante os dezoito meses de existência da pandemia Covid-19 devem ser respeitadas, e manda a prudência e o bom senso cumprimento rigoroso das normas da DGS, que de novo aqui se reproduzem.

No que à COVID-19 e à nova estirpe Omicron respeita, as normas simples e eficazes são as abaixo indicadas:

Independentemente da tomada das duas doses da vacina e da toma da 3ª.dose, a regra de ouro para conter o vírus é simples: PRECAUÇÂO MÁXIMA, seguindo as indicações:

  • Distanciamento social
  • Uso de máscara
  • Evitar contactos desnecessários
  • Lavagem frequente de mãos (sabão, álcool-gel)
  • Resiliência e precaução extrema para evitar contactos com o vírus.
  • Toma da 3ªdose -Vacinação (sempre que possível), nos níveis etários recomendados pela DGS
  • Siga, apenas, as indicações da DGS , dos virologistas e dos médicos.

O mundo científico da área médica  ainda não tem resposta para muitas questões pertinente relativas à nova estirpe Omicron. As palavras chave neste momento são: precaução extrema e aguardar com serenidade a resposta, que a ciência certamente irá dar, crê-se em tempo oportuno e num esforço conjugado gigantesco da medicina, da investigação e da indústria farmacêutica. Há tempos de trabalho ,por vezes não compatíveis com a premência urgente de resposta para a pandemia. A questão é muito complexa, mas isso não impede a compreensão do que está em jogo. Embora de leitura pouco acessível para a gente comum, chama-se a atenção para um artigo surgido no jornal el País (Brasil) dirigido para os interessados na área da biologia molecular e do estudo do genoma do vírus COVID-19 original .As 12 letras que mudaram o mundo :ccu cgg cgg  gca.  Em linguagem gráfica (mais entendível), a descodificação destas letras [c-citosina, u-uracilo, g-guanina, a-adenina; moléculas que envolvem  os elementos constituintes básicos: carbono, hidrogénio, azoto] em diferentes combinações descrevem o RNA do vírus.


O genoma do vírus Covid-19 (original) tem cerca de 30 mil letras[parte inferior da gravura] e o material genético está programado para romper a célula humana por meio das espículas, introduzindo-se nas células e reproduzindo-se (fazendo cópias de si mesmo). Ainda de acordo com o texto de El Pais cerca de 4000 letras são responsáveis pela proteína da espícula, que constitui a chave de entrada na célula humana.

A nova variante Omicron apresenta 30 mutações relativamente à variante  delta (até agora dominante) e para o qual as vacinas Pfizer e Moderna, do tipo mRNA, foram desenvolvidas. A produção destas vacinas, em tempo curto, beneficiou de outros estudos médicos em desenvolvimento, para outras doenças. A produção da vacina AstraZeneca, baseia-se noutro processo. Deixa-se o leitor interessado no tema, com a leitura integral do artigo de divulgação do EL PAIS. 


A variante Omicron tem mais de trinta mutações na espícula, chave de entrada para a penetração das células , mais do dobro da variante Delta. Tamanha mudança, levanta a questão de se saber se os anticorpos criados por infeções e pelas vacinas estão preparados para este combate. O conhecimento da lista de mutações, os meios académicos, faz prever novas reinfecções e que algumas partes das mutações são furtivos às vacinas. É tempo de espera e de estudos. O mundo científico interroga-se sobre as possíveis e nefastas consequências. O desconhecimento da nova variante dá origem a novos estudos, que segundo as regras basilares das ciências exactas e, em particular das metodologias das ciências médicas podem ser demorados e quiçá inconclusivas. 

A BioNTech , uma das possuidoras do conhecimento para a criação da vacina, invoca um periodo relativamente curto para a adaptação da vacina m-RNA para a nova variante (cerca de três semanas). Drogas baseadas na diminuição da replicação do vírus mostram esperança e sucesso neste novo combate. O tema é objecto de referência em todo o mundo. Deixa-se aqui, para os interessados, um vídeo (em inglês).Carreque aqui..

A incerteza da ciência é, assim, também projectada para a esfera dos políticos. Em boa prática, esta esfera deve (ou deveria) subordinar-se à área cientifica, mas também não pode balizar-se por ela. Há aspectos da área social que não podem ser ignorados. Em tão grau de complexidade da pandemia, é inevitável que a resposta não seja única e a abordagem do tema seja diferenciado de país para país  (e por vezes, em diferentes zonas de um dado país.

A situação actual do país a {10-Dez-2021} é descrita no relatório da DGS. 10.12.2021 (clique aqui) . De acordo com o relatório, o concelho de Vimioso apresenta uma taxa de incidência acumulada muito elevada 707 (entre 450 e 959,5) exigindo-se máxima prudência. As autoridades locais e sanitárias prestarão certamente, tal como no passado, todo o apoio para a resolução do problema. O contributo individual é importante. Facilitismos e incumprimento das regras básicas acima indicadas, só virão complicar a situação.

Em Portugal, país de iluminados, onde facilmente se transforma um tema complexo (o da pandemia) em mero palpite e opinião sem qualquer fundamento, quer a Ministra da Saúde quer a DGS têm sabido conduzir [apesar dos erros, omissões e alguns falhanços] a carta a Garcia. É claro que existem muitos sectores discordantes. Alguns embirram com os berloques usados pela Directora Geral de Saúde. Para lá destes devaneios comuns a ilustres senhoras, é segundo nosso entender digna de credibilidade de pensamento (com pequenos erros de comunicação à mistura). E dúvidas intrigantes : Como se explica a elevada taxa de mortalidade? Apenas a pandemia COVID-19 é apelativa para o Governo? Há uma guerra de fundo, entre o sector público e privado, dos cuidados de saúde. São milhões em discussão. A população portuguesa, tem o SNS, conquista visível e que deve ser acarinhada como uma das conquistas maiores de Abril. Com todos os problemas associados desde a falta de financiamento em sectores chave até à fuga dos médicos para o sector privado. 

Os partidos políticos olham para o seu umbigo e perdem-se em questões de lana caprina. Pobre Rangel, pobres Montenegros, pobres órfãos santanistas, pobres coelhitos perdidos na serrania do Marão. Em tom jocoso, as setas venenosas atiradas ao sócrates "gay", transformaram-se em setas de cera, perdidas no esquecimento dos mesmos artistas.

Quanto a isso, é esclarecedor a guerra assassina no interior do PSD. Discute-se, com clareza a luta pelo pote (dinheiros públicos) e pelo poder (ser ou não ser Primeiro-Ministro). Os Portugueses certamente abrirão os olhos. A corrupção alastra desenfreada pelo país. Os partidos não formam para o serviço público, mas para a tacharia que advém da tomada do poder. O poder corrompe, diz a história. A arrogância dos Medinas e das suas descabeladas imposições das ciclovias tiveram efeito prático. A persporrência e insensatez dos Cabritas moldam o pensamento e a acção do cidadão comum. Os lisboetas, cansados das veleidades camarárias, mudaram a agulha, numa vitória à Pirro traduzida nalguns milhares de votos, numa cidade como a de Lisboa. Assim surgiu do nada, o homem dos UNICÓRNIOS. A palhaçada da rica câmara lisboeta continua. Os pilaretes e as ciclovias proliferam como as vespas asiáticas. A fantasia dos Unicórnios não passa de má poesia e de fraca representação. Não tendo tempo para pensar o país refugiam-se nestas quimeras.

Ao P.R. agrada um qualquer outro centrão. Terreno fértil para a corrupção. Agora, no terreno prático, as selfies terminaram. Entretanto, o país profundo definha e vai-se extinguindo em lenta agonia. Com os insultos das telefefónicas sobre as populações do interior e da ditadura governamental da digitalização forçada. Pobres cidadãos, sem meios económicos, sem conhecimento básico do mundo digital, atirados às feras em modo circo romano.

A ser verdade, o acesso de duas aldeias de Vimioso a pequenas Lojas do Cidadão constituirá um crime de lesa pátria. Perguntar -se -à então a quem obedece o chefe máximo da Câmara Municipal? Ou tratar-se-à de um pensamento Unicórnio, alardeado por dois iluminados e que ecoa pelas serranias transmontanas?

A política séria, com pensadores profundos e equilibrados, transformou-se numa farsa de agentes políticos vendidos a pataco.

{NOTA FINAL - Proteja-se a si e aos seus próximos, procurando seguir as normas acima indicadas. Relativize os problemas. A saúde individual e colectiva é o mais importante. Siga a indicação dos organismos da saúde responsáveis. Os polítiqueiros não passam de pílulas amargas que temos de aguentar. A Polícia Judiciária (PJ) fez a sua parte com a prisão dum banqueiro. A Justiça que faça a sua parte.}