quarta-feira, 29 de maio de 2024

Ciclo das rochas - DO GRANITO AO GRANITO(AGC)

 Granito

Fenómenos que moldam o granito e lhe dão/ ou deram a forma Observável


 

CARREGUE no link : Geosítio Praia dos Lavadores

Consultar: Do granito ao granito, (texto abaixo) - A. Galopim de Carvalho

Viagem das areias do rio Angueira a zonas de entrada no oceano. Ciclo das rochas abaixo!

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Texto de Prof. A Galopim de Carvalho
Uma conversa com A. M. Galopim de Carvalho (Ciências ULisboa), no âmbito das comemorações do Dia da Terra 2021. Será abordado um dos processos fundamentais do nosso planeta: a permanente reciclagem das rochas, com foco nos granitos. Quando, no campo, olhamos para o granito num afloramento ou, na cidade, o pisamos, coeso e duro como pedra da calçada, podemos pensar que esta rocha sempre foi assim, mas não é essa a realidade. São muitas as rochas que resultaram de outras. Por exemplo, quem diria que o granito, que se vê e explora em Trás-os-Montes, no Minho ou nas Beiras já foi xisto, o mesmo que, com ele, forma o substrato destas províncias. A explicação é simples se nos fixarmos nos aspetos mais gerais, deixando de parte pormenores que aos especialistas dizem respeito e o abordarmos por palavras que toda a gente entenda. Como é sabido, os agentes atmosféricos “apodrecem” (alteram) as rochas e é essa alteração que gera a capa superficial sobre a qual se instala o solo. Nesta rocha é o feldspato e a mica preta (biotite) que sofrem o essencial dessa alteração. O primeiro, parcialmente, em minerais das argilas (barro), a segunda libertando os óxidos de ferro que dão à rocha, por vezes, o aspeto enferrujado. O quartzo, praticamente, não sofre qualquer alteração, o mesmo sucedendo à mica branca (moscovite) que apenas se divide em palhetas cada vez mais pequenas e delgadas. Em tempo de chuva estes materiais acabam canalizados nos rios que conduzem muitos deles (areias finas com quartzo, algum feldspato, micas, limo e argilas) até ao oceano profundo onde, ao longo de milhões de anos, se acumulam em depósitos sedimentares com milhares de metros de espessura. Sempre que um oceano se fecha, nasce uma montanha, envolvendo uma série de processos que, de um modo muito simplificado, se resume, dizendo que grande parte desses depósitos se afunda na crosta, ficando submetidos a temperaturas e pressões que aumentam com a profundidade. Começam aqui as transformações próprias do metamorfismo. De entre os que se afundaram menos e que, portanto, sofreram um metamorfismo mais fraco, surge o xisto argiloso. Dizemos que é uma rocha metassedimentar porque está na fronteira entre as sedimentares e as metamórficas. Com o aumento da pressão e da temperatura, em profundidade, formar-se-ão outros xistos de um grau de metamorfismo mais elevado, os micaxistos e os gnaisses. Sem entrar em pormenores, podemos simplificar, rematando que, mais abaixo, a profundidades na ordem dos 30 quilómetros, a temperatura pode atingir os 800ºC e a pressão ultrapassar as 4000 atmosferas. Inicia-se a fusão dando nascimento ao magma que, uma vez, arrefecido refaz o granito.


Fim do texto de: A. Galopim de Carvalho

(Ciclo das rochas- Geosítio Praia dos Lavadores)


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Processo 1 - Degradação de rochas, solos e minerais, através de contacto com a água, gases atmosféricos, luz solar e organismos biológicos (Weathering - em inglês)

(Não confundir : Weathering com erosion)

 


Processo 2 - EROSÃO: envolve o transporte de rochas e minerais por agentes externos tais como a água, o gelo, a neve, vento e ondas (Erosion - em inglês)

 


Figura 2- Imagem processada por programa de computador (contornos), a partir da foto-base.

Identifique o bloco pedunculado!

A área territorial de Angueira não se encontra mapeada em termos geológicos, onde estas formas geológicas graníticas ocorrem. Todavia, existem folhas geológicas e respectivas descrições para áreas próximas, nomeadamente a folha 8-A (São Martinho de Angueira), e várias outras da região de Bragança (Deilão, Macedo de Cavaleiros, ..). O território de Angueira (zona de xistos/granito) não faz parte do pacote de zonas de formação já estudadas. Da formação de Angueira (ainda em fase de estudo - conhecida pelo nome do rio) fazem parte : zona de Constantim e São Martinho de Angueira. A zona bordejante deste território é a conhecida, estudada e célebre:” sinclinal de Alcanices”.  Voltaremos mais tarde a este assunto, por se tratar da zona geológica onde Angueira talvez melhor se enquadre (já que não há ainda um estudo detalhado da estrutura geológica desta área, a cargo dos serviços geológicos nacionais).





Figura 3-Tiffoni (Itália).

Procure identificar, a partir da Fig.2 os vários processos de degradação do granito. Mais tarde, procuraremos identificar os processos envolvidos nas rochas graníticas do território de Angueira. Existe numa aldeia de M.do Douro um bloco representativo deste fenómeno. Bloco que desperta a atenção de quem o observa, pela sua singularidade.

 Este texto faz parte da pergunta genérica sobre as formas  observadas ! Existe uma interessante abordagem do tema do granito elaborada pelos snrs estudantes de Miranda do Douro. Quiçá, de entre eles saia um geólogo!

quinta-feira, 23 de maio de 2024

 GRANITO  - Rocha plutónica

VEJA também sff o video PANGEA -Deriva dos Continentes

1. Carregue aqui-1 

ou 

2. Carregue aqui-2

As montanhas que hoje observámos são o resultado de vários cataclismos do passado. As rochas são parte fundamental para a descrição da história da Terra. As rochas graníticas de Angueira e o seu território estão intimamente relacionadas com a Orogenia Varisca (em linguagem dos geólogos).


(Vêr Wikipédia ou (aconselhável) livros de texto de geologia!). Note-se que rochas extrusivas vulcânicas se encontram ausentes do território, mas tiveram um papel primordial na evolução da Terra (Armadilhas Siberianas (montes de lava) e fenómenos actuais da actividade vulcânica na Islândia). Os xistos são classificadas como rochas metamórficas. A Terra, longe de ser um local tranquilo, passou por catastróficos acontecimentos geológicos, que determinaram a morfologia que, em parte hoje se observa. Além disso ...














PANGEA -Deriva dos continentes

quinta-feira, 25 de abril de 2024

 25 de Abril sempre!

Mas ainda muito falta cumprir!

O rio Angueira é testemunha do abandono dos mandantes!

Pergunto ao vento que passaNotícias do meu paísE o vento cala a desgraçaO vento nada me diz.O vento nada me diz.
La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la,La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la.La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la,La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la.
Pergunto aos rios que levamTanto sonho à flor das águasE os rios não me sossegamLevam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoasAi rios do meu paísMinha pátria à flor das águasPara onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhasPede notícias e dizAo trevo de quatro folhasQue morro por meu país.
Pergunto à gente que passaPor que vai de olhos no chão.Silêncio -- é tudo o que temQuem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramosDireitos e ao céu voltados.E a quem gosta de ter amosVi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nadaNinguém diz nada de novo.Vi minha pátria pregadaNos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margemDos rios que vão pró marComo quem ama a viagemMas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir(Minha pátria à flor das águas)Vi minha pátria florir(Verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignoradaE fale pátria em teu nome.Eu vi-te crucificadaNos braços negros da fome.
E o vento não me diz nadaSó o silêncio persiste.Vi minha pátria paradaà Beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novoSe notícias vou pedindoNas mãos vazias do povoVi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentroDos homens do meu país.Peço notícias ao ventoE o vento nada me diz.
Quatro folhas tem o trevoLiberdade quatro sílabas.Não sabem ler é verdadeAqueles pra quem eu escrevo.
Mas há sempre uma candeiaDentro da própria desgraçaHá sempre alguém que semeiaCanções no vento que passa.

Mesmo na noite mais tristeEm tempo de servidãoHá sempre alguém que resisteHá sempre alguém que diz não.

(Adriano Correia de Oliveira)

Músicas de ZECA AFONSO
Clique no link abaixo!

https://www.youtube.com/watch?v=3yPvNdKjwhI

domingo, 3 de março de 2024

ELEIÇÕES_2024 - Hora da verdade!

 ELEIÇÕES_2024 - Por encomenda dos artistas: PR e PGR

Como se chegou até aqui! 

Brincando à política, em modo maquiavélico, e conduzindo ao pelourinho um P.M. acossado!

A factura destas eleições, qualquer que venha a ser o seu resultado, vai ser endereçada ao povo português. O homem das selfies, o pregador de TV, o esquivo guerreiro do serviço militar nas colónias, o manipulador da receita vichyssoise, o picareta falante das TV, o Prof. (respeitado segundo consta),  o acompanhante de luxo, com chapéu condizente, em férias paradisíacas com o amigo DDT (Dono disto tudo),  o admirado e bajulado MRS ia fantasiando, engrossando o seu ego, em suma! 

    Julgando e opinando, e intuindo que afugentar o diabo (P. Coelho) durante um certo tempo da cruz da governação seria a melhor solução para se livrar da tralha cavaquista, alia-se ao amigo e seu estudante A. Costa, político de profissão. Conúbio estranho, já que escorpiões são animais estranhos. Em suma : uma das pérolas democráticas M.R.S.  intuiu que, após os direitolas da Troika não conseguirem formar governo, lhe estava reservado o papel de salvador da Pátria, o papel de grã-vizir (1ºMinistro). Enquanto as selfies e as beijocas duraram, tudo bem, quando a dura realidade dos acontecimentos impôs as suas regras, não houve alquimia possível. Nem os originais alquimistas  (via Constituição) lhe permitiriam transformar um PR em 1º. Ministro. 

    Começam a surgir as ameaças de dissolução da Assembleia da República. O 1º.Ministro A. Costa fez-lhe a vontade, já que o PR assim o decidiu, apoiando-se obviamente na velha tralha cavaquista, na imprensa e media dum qualquer Pinto Balsemão, nas TVI ou outra qualquer que se pusesse a jeito. Perante o vazio do iluminado MRS na TV, sucede-lhe o amigalhaço Marques Mendes, que do alto do palanque TV visiona ou visionou a Presidência da República. Mas povos antigos apresentam muitos e velhos becos nas suas cidades, difíceis de atravessar sem punição. Virou comentador do lixo jornalístico e jornaleiro que por aí prospera, usando a mentira como arma de arremesso. Fundamentações para quê. Os domesticados, domesticados estão. Tragédia recente dum povo antigo. Vamos, agora, aos factos. 

    É reconhecido que o país enfrentou problemas de saúde gravosos para o cidadão (Covid), enfrentamento económico de problemas derivados de guerras alheias, a dívida pública à perna - os credores a exigir o seu e todos os problemas e questões associados ao ensino e à saúde. Para qualquer cidadão normal - como Fernando Torquaz se considera a si próprio - a austeridade não foi invenção recente nem depende, em exclusivo, dos políticos. Fernando Torquaz, praticou-a e experimentou-a muito antes da troika cá chegar. Sem pensamento de economia elaborada, manda o bom senso não gastar mais do que Fernando Torquaz pode assumir. Teorias económicas há muitas, todas elas dispensáveis para um chefe de família prudente. Porém, o aproveitamento político da desgraça dos envolvidos em dívidas serve de pasto para a conquista do voto, em eleições.

    Em texto anterior (de Paz Paixão) desenvolveu-se o tema de como a dívida pública chegou ao cidadão, sem este ter alguma responsabilidade da crise de 2008, com a queda do Lehman Brothers e do efeito dominó que atingiu Portugal, Grécia e Irlanda de forma virulenta, e a outros países que conseguiram esquivar-se por considerados grandes países. 

Ao pequeno país nada se perdoa, ao país grande tudo se resolve nos gabinetes e centros de decisão. França e Espanha que o digam. Passos Coelho, um indivíduo pretensioso, ignorante primário, estudante falhado, de cabeça grande (borné) mas oca de ideias, apoiado por um relvas aldrabão e um professor de retaguarda (já falecido) que lhe indicava os passos liberais.
   
 Então, os dados estão agora  lançados. Já todos conhecem este Passos, néscio político primário. Porém, capaz de perturbar todo o sistema democrático apoiado em seguidores afins e no seu filhote Ventura, com os seus atrelados venturinhas . Vêm o princípio e o fim de toda a história recente portuguesa do sufoco financeiro  na personagem política Sócrates, de corrupto rotulado-para fins óbvios. Dado de barato que alguns milhões andem perdidos por aí, qual a factura paga pelo povo português para solucionar o BPN da tralha cavaquista? É só fazer as contas, parafraseando Guterres! 
  
Dado que os actores são os mesmos da velha tralha cavaquista, a mesma argumentação se aplica (com pequenas modificações sempre necessárias) aos novos mendigos petulantes.

TralhaCavaquista_2ªlinha

    Toda esta questão já foi discutida em detalhe há muito tempo, pelo que perder tempo com o imbecil Coelhinho, é alimentar pardais com chocolate. O trio invertido continua na mesma: são filhotes uns dos outros em termos políticos. Nulidades Montenegrinas do retrato: 
Trio invertido
    Remete-se o leitor para tempos idos, já que a AD, recauchutada é a mesma. AD sinónimo de bagunça, dizem alguns jovens. 
Cacofonia, dizem alguns jovens.

Com certo pendor para a simplificação:

AD=soma de (PSD)+CDS(nado morto)+Cantadores de fado d ´ antanho.

AD: sigla pode significar

1. Aliança Democrática
ou
2. Assembleia de Deus (Religião)

[ Excluida a religião do assunto, como é de bom tom! ], resta a 1ª, a dita Aliança Democrática. Como a parcela CDS é praticamente nula e a dos Cantadores de Fado-idem aspas ,aspas, então só resta o PSD. Até na sigla mentem e pode e deve ser interpretada como símbolo de cobardia. Recusam a sua identidade! Estas contas já foram feitas no passado. Para o borné, de cabeça graúda, basta.

Para quem quiser seguir este roteiro do filme que aí vem,siga
 O calendário abaixo, na parte  direita de
"http://angueira-2.blogspot.com"  permitir-lhe-à viajar no tempo volta para trás (se não gostar, paciência). 

Os mais directamente relacionados com a situação actual estão localizados no ano 2011,2012 e 2013. É conveniente, para uma visão integral, ler todo o texto, que pode ser relativamente extenso.
O leitor pode, se assim o entender, navegar pelo calendário indicado. No dia 10 de Março, os números são importantes, escolher a data do 25 de Abril é incompatível com o antes 24 de Abril. A juventude actual não sente o peso da falta de liberdade e a citadina goza das tecnologias dos telemóveis de última geração. O canto da sereia da AD e afins pode ser-lhes fatal. Uma passagem pela situação de "Las Hurdes", episódio gravado em Espanha (1933) por L. Bunuel, mostra-lhe-à que a vida não se resume a fantasias efémeras em terras sem pão. Há,  com certeza prévia garantida, consequências nefastas de voto errado. Não haverá mais livros de reclamações.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

 Reflexão sobre as voltas e  curvas da vida!

Terreiro do Paço -  25 Abril 1974

Texto da carta da filha do Cap. Salgueira Maia, dirigida ao seu pai ausente e publicada no seu site do facebook. (Assina como Catarina-Mau feitio, apenas isso. A verdade simples dos factos acima dos venturinhas e dos falsários patriotas, que nunca o foram nem alguma vez serão!

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Catarina Salgueiro Maia

Querido Pai,
Hoje envio-te esta foto que representa tanto o Ser Humano que és! Com medos mas com uma coragem maior ainda! Sabias que naquele dia tinhas uma missão e cumpriste-a da melhor maneira: de corpo e alma! Sabias que dependia de vocês o futuro de Portugal!
Escrevo-te ao som de Grândola! Escrevo-te de coração apertado! Escrevo-te a tremer!
Lutaste por nós, pelo teu País! Lutaste por tudo aquilo em que acreditavas! Lutaste para que todos pudessem sonhar! Lutaste para que esses mesmos sonhos se realizassem! Lutaste pela memória daqueles que nunca regressaram e por aqueles que iriam partir em breve!
E quando tudo terminou voltaste a casa sem pretensões! Voltaste a ser o marido, o filho, o amigo, o colega... Voltaste a vestir a farda com o mesmo orgulho com que sempre a envergaste! Mesmo quando te sentiste "castigado" sentado numa secretária nos Açores!
Hoje celebramos o que tu, o Carlos Matos Gomes, o Garcia Correia, o Vasco Lourenço e tantos outros conquistaram por nós! Hoje celebramos não só a Liberdade mas também o Amor! Hoje celebramos a vida e a luta! Hoje celebramos os sonhos!
Mas não deixaremos de lutar! Lutaremos todos os dias por todo o mundo! Lutaremos pela igualdade de direitos, lutaremos por respeito, lutaremos por dignidade! Lutaremos por manter vivo o espírito de Abril!
Hoje não sairemos a rua mas cantaremos em plenos pulmões! Hoje não haverá abraços físicos mas abraçarei com o coração! Hoje não terei cravos mas eles vivem em mim! Hoje gritarei "25 DE ABRIL SEMPRE" à janela para que a vossa luta não seja esquecida! Hoje ouvirei Grândola Vila morena vezes sem conta e chorarei porque é o símbolo da vossa Vitória e da tua partida! Hoje, mais que nunca, dou valor à liberdade com que vocês, meus Heróis, tanto lutaram!
Obrigada, Pai!! Obrigada por nunca desistires do teu País mesmo quando o teu País "desistiu" de si próprio!
Obrigada a todos os que naquela madrugada saíram e não cruzaram os braços!
Com Amor,
Catarina Mau-feitio

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domingo, 31 de dezembro de 2023

 Tempos de reflexão

A Fábula da Rã e do Escorpião por Eduardo Paz Ferreira

Como entender as crises da dívida soberana!

A Fábula da Rã e do Escorpião por Eduardo Paz Ferreira - Presidente do Instituto Europeu e do IDEFF.  As minhas primeiras palavras são, naturalmente, para agradecer aos nossos convidados, que se dispuseram generosamente a uma viagem que sobrecarrega, ainda mais, agendas já muito preenchidas, para aqui estarem connosco hoje, discutindo um problema de importância fundamental para o nosso país, bem como para a União Europeia no seu conjunto. Ao Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público, na pessoa do Dr. Alberto Soares, expresso a minha gratidão pessoal e institucional pela disponibilidade para reflectir sobre a dívida pública em conjunto com o IDEFF, bem como a parceria celebrada em torno da leccionação de uma pós graduação nesta área específica, o que suponho que acontece pela primeira vez entre nós. O meu profundo reconhecimento vai, ainda, para a equipa reitoral, que cedeu o espaço para a realização desta conferência, expressando mais uma vez a sua confiança no Instituto Europeu e no Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal e o seu empenho na abertura da Universidade à sociedade civil, tão exuberantemente demonstrada nas comemorações do centenário da Universidade. Permitam-me, também, uma palavra para todos os participantes que compõem uma plateia de excelência que nos motiva e responsabiliza para continuar com o esforço que vimos desenvolvendo, em coerência com aquilo que entendemos ser o nosso dever cívico e a nossa contribuição para ajudar a ultrapassar as dificuldades do quotidiano. O debate plural e informado é uma primeira condição para mobilizar a sociedade para a busca de uma vida melhor, recusando as concepções que tentam reduzir as escolhas fundamentais de uma comunidade a meros problemas técnicos, ignorando a dimensão política e social. A discussão das questões da dívida pública em Portugal remete-nos para a nossa história e para alguns dos seus episódios mais traumáticos. Muito do actual debate tem um ar de já visto para quem olha para a história económica portuguesa. O próprio acordo da assistência financeira à República Portuguesa traz-nos à memória imediata a concordata com os credores estrangeiros do início do século XX, durante tantos anos apontada como um exemplo de humilhação nacional e sujeição ao exterior. Só que, através da concordata, como afirmou Armindo Monteiro, “conseguiu-se afastar o controlo estrangeiro, mas foi impossível evitar a consignação dos rendimentos aduaneiros. Eram o penhor do nosso futuro bom-senso” enquanto que, nos nossos dias, mesmo sem consignação de rendimentos aduaneiros que, de resto, já não nos pertencem, é impossível ignorar o controlo estrangeiro. De resto, não é difícil encontrar em tantos dos nossos opinion makers o mesmo zelo no combate à dívida e à despesa que animou nos anos vinte do século passado Salazar e Armindo Monteiro – os dois candidatos à regeneração financeira, numa luta que o primeiro, como tragicamente sabemos, viria a ganhar. A todos anima a mesma angústia em torno do endividamento do Estado e da realidade subjacente de aumento da intervenção pública. Como muitos nesta sala saberão, Armindo Monteiro foi o primeiro doutor da republicana Faculdade de Direito de Lisboa, oriundo da própria escola e que se juntaria aos mestres que tinham transitado de Coimbra. Por isso, permitam-me que lhe dê, de novo, voz, ao referir-se de forma bem impressiva ao défice público: “A história do défice é história das finanças portuguesas. Tem na atormentada vida nacional o papel de Cérbero – o cão das três cabeças que guarda as portas do Inferno. Nasceu cedo o défice. Chamavam-lhe alcance na linguagem velha, mas quer com um termo quer com o outro quis-se sempre indicar miséria igual. Corram-se os documentos, examinem-se as contas, consultem-se relatórios, ande-se para trás no tempo, penetre-se no segredo dos arquivos, peçam-se informações às memórias, às cartas. Aos escritos de qualquer época – e de todos eles subirá até nós a mesma lástima, a mesma queixa, a mesma angustia”. Em Portugal, o problema do défice praticamente só conheceu resposta em regime ditatorial. O desafio que temos, hoje, perante nós é o de conseguir uma resposta em democracia. O peso da ditadura foi demasiado grande, quer no plano político, quer no económico, deixando-nos um país pobre, ignorante, isolado do mundo e a braços com uma irresolúvel e imoral guerra colonial. Reparo que me deixei embalar, directamente ou por interposta citação, por um discurso, de tons apocalípticos, em torno das questões morais, éticas e políticas, como sucede quase sempre que se discute a dívida pública. E esse é o tom que acompanha a dívida desde os mais remotos tempos. Olhamos a Idade Média e vemos os empréstimos contraídos pelos monarcas, quase sempre sob forma disfarçada, uma vez que a condenação canónica da usura atingia, também, esta modalidade de crédito. Vemos, ao mesmo tempo, a actividade do financeiro perseguida e tendencialmente confinada aos judeus, sendo os usurários ameaçados com a excomunhão e as penas do inferno por venderem um bem – o tempo – que só a Deus pertence. No Deuterónimo estava expresso o comando “ não exigirás do teu irmão juro nenhum nem por dinheiro, nem por víveres, nem por qualquer outra coisa que se preste ao pagamento de juros”. Os pregadores medievais tornaram o tema central nos seus sermões, com o usurário inevitavelmente destinado ao Inferno. Alguns, in extremis, tentavam a salvação com a entrega a obras pias dos lucros acumulados. Naturalmente não temos informação quanto ao sucesso de tais iniciativas. Jacques Le Goff, o grande historiador francês, faz o levantamento delicioso destas peças e das penas do Inferno que inevitavelmente aguardavam os usurários no imaginário difundido. No mesmo Le Goff iremos encontrar a descrição das justificações com que a doutrina católica procurará corresponder às crescentes necessidades de aceitar uma prática que na realidade se difundia e seria fundamental para o aparecimento do Estado moderno. Muito mais tarde, uma das famosas frases de Benjamin Franklin – time is money – enterraria quaisquer dúvidas e sintetizaria de modo exemplar a nova ética do capitalismo. Neste lento processo, irá emergir a figura dos financeiros, expressão que normalmente designa uma classe de pessoas intimamente ligadas aos dinheiros públicos quer quando exercem funções públicas, quer quando actuam como prestamistas do Estado. Da mesma forma, os Estados vão aperfeiçoando a disciplina jurídica do endividamento bem como os mecanismos de gestão da dívida pública. A Inglaterra fá-lo da forma mais eficaz e, na opinião dos historiadores económicos, este vai ser um factor determinante para a sua superioridade militar. A revolução financeira antecederá a revolução industrial e criará as condições necessárias à sua eclosão. 


Os excessos do recurso ao crédito das formas de Estado moderno e absolutista irão determinar, no entanto, o aparecimento de uma nova onda de condenação ética e também económica. Os grandes economistas liberais, com Adam Smith à cabeça, enumeraram os males da dívida: o aumento da despesa pública improdutiva em detrimento da privada; a subida dos preços; a dependência do estrangeiro, a opressão dos mais pobres com o pagamento de juros; a facilidade de lançamento ou manutenção de guerras; a ilusão financeira quanto ao preço do Estado; a criação de uma classe inactiva de prestamistas e a transferência do ónus para as gerações futuras. Seria, naturalmente, ambição excessiva tentar aqui seguir toda a evolução posterior do pensamento económico e, designadamente, a reabilitação keynesiana da dívida pública, seguida do contra-ataque monetarista e da public choice (escolha pública), com esta última escola a repor, pela voz de James Buchanan, o debate moral sobre a dívida. Arranca daqui a tentativa da escola do constitucionalismo económico de impor limites ao endividamento nas próprias constituições. A revolução económica conservadora transmite-se à acção política e, como bem sabemos, o moralismo da chanceler alemã recebe estas posições de braços abertos. É curioso verificar que a condenação ou, pelo menos, a preocupação em torno do endividamento público historicamente prevaleceu e se estendeu por períodos muito mais longos do que aqueles em que foi aceite ou desejado como um instrumento financeiro normal e que, no entanto, o endividamento não parou de crescer. Resultado das crescentes pressões sobre o Estado e da impossibilidade deste encontrar receitas tributarias suficientes? Fruto de uma estratégia deliberada de ilusão financeira? Ou, mais simplesmente, resultado da verificação de que se trata de uma receita adequada a estabelecer formas de justiça intergeracional - contrariamente ao labéu que lhe foi criado - transferindo para o futuro encargos, mas também bens públicos, de que beneficiarão igualmente as gerações vindouras, ou até garantindo níveis de educação e proteção social que só podem ter efeitos positivos no progresso das sociedades cooperativas que todos defendemos? Da má fama não escapam, no entanto, nem a dívida nem os financeiros. Importa, então, que o Estado a saiba usar virtuosamente e que os financeiros aceitem regras adequadas e que os afastem das penas do inferno, antevistas pelos canonistas. Quanto à dívida pública, creio que é de recusar a introdução de limites rígidos, que podem dizer tão pouco sobre a capacidade de um Estado para solver os seus compromissos. Há, no entanto, que caminhar no sentido do aperfeiçoamento dos mecanismos de controlo da dívida, conjugando os tradicionais princípios constitucionais, herdados do liberalismo, com técnicas de planeamento financeiro efectivo e susceptíveis de garantir uma manobra financeira de conjunto que maximize as possibilidades de actuação. A transparência e profissionalização da gestão da dívida são requisitos fundamentais nesse caminho e creio que a legislação portuguesa, em cuja preparação tive o privilégio de colaborar, criou um quadro que o IGCP potenciou de forma diligente e empenhada. Não acompanharia, completamente, quantos vêem na total monetarização da dívida pública, concentrada nos bancos centrais, a panaceia para todas as dificuldades, mas creio profundamente que a experiência mostrou que se não pode deixar a fixação das condições da dívida nas mãos de mercados, em que movimentos de prudência lógica se misturam com pânicos irracionais, informações distorcidas e especulação impiedosa.


  A garantia de que o Estado teria sempre um credor de última instância funcionaria, em minha opinião, quer no sentido de dissuadir os movimentos especulativos, quer de tranquilizar os prestamistas legitimamente preocupados. Veja-se, de resto, como o, ainda assim, discreto reforço da actuação do BCE nos mercados secundários tem produzido bem melhores resultados do que as sucessivas cimeiras europeias. A profunda crise da dívida soberana europeia tem alimentado, um sentimento de repulsa popular pelos financeiros, devidamente explorado pelos movimentos populistas, que vão de encontro à revolta de quantos vêem uma parcela cada vez mais significativa dos seus impostos, encaminhada para o pagamentos da dívida e o Estado a apoiar significativamente o sistema financeiro e, menos evidentemente, a actividade económica. Noutra encarnação – antes da eleição – Barack Obama deu voz a este queixume. Washington protegia Wall Street mas desinteressava-se da main street. A imagem do usurário medieval retoma - e retomará cada vez mais - um papel de relevo no imaginário popular, sendo de temer que, em tempos em que as penas do Inferno tendem a ser desvalorizadas, cresça um movimento para antecipar o castigo para a vida terrena. Será, todavia, que este anátema dos credores do Estado se justifica? Quem empresta, de facto, dinheiro ao Estado? Quem dele beneficia e quem dele se serve? Estas são questões que estão longe de ter resposta simples e que exigem sempre análises cuidadas. A primeira verificação – que nem por ser uma banalidade deve ser esquecida – é a de que um Estado sem acesso aos mercados de crédito estará numa situação dramática. A segunda tem a ver com o facto de entre os credores do Estado se encontrarem entidades de muito diversa natureza. Tratados nos últimos anos com grande desinteresse e altivez pelo Estado Português, há que recordar, em primeiro lugar, os detentores de pequenas poupanças que prolongam uma tradição forte de procurar a segurança da dívida pública. São, ainda, em última instância, as pequenas poupanças que alimentam fundos de pensões e de investimento, nacionais e estrangeiros, a ser canalizadas para a divida pública, dentro de uma nebulosa que envolve entidades bem menos respeitáveis como os edge funds, cujo contributo para a crise financeira de 2007-2008 foi decisivo. A crise da dívida soberana não pode ser, de resto compreendida sem recordar a sua origem financeira e o modo como os Estados foram empurrados para o apoio ao conjunto do sistema financeiro, a fim de salvar as economias, bem como o esforço que aos bancos é pedido para manter o mercado da dívida pública. E estamos, agora, em presença dos grandes actores que contracenam no palco da dívida soberana – e que, não nos esqueçamos, têm direito, como qualquer actor desejaria, a um palco de dimensão mundial. Estados e bancos aparecem unidos num intenso abraço. Resta esperar que a racionalidade dos dois lados, mantendo a percepção da diversidade de alguns interesses, evite cair na tentação do escorpião a atravessar o rio no dorso da rã. É que, nesse caso, as vítimas seriam muito mais e, sobretudo, seríamos todos nós.

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Termino o ano_2023 com a fábula do Escorpião e da Rã. A crise financeira de 2008 ( colapso do Lehman Brothers) arrastou a crise para alguns países europeus (Irlanda, Grécia, Portugal e outros, esquivos, mas mais poderosos). Como sempre, os fracos ou debilitados são os primeiros a pagar a factura da dívida. O sector bancário português e os seus desmandos, alguns ligados à tralha cavaquista, transformaram as dívidas acumuladas na banca, em dívida soberana. Assim, qualquer cidadão sem dívidas pessoais, passou a ser devedor como elemento desse pacote da dívida soberana. A realidade da dívida foi aproveitada pelo ignorante e imbecil Passos Coelho e pela Comunicação Social deste reino da porcalhota, onde vegetam energúmenos da pior espécie e defensores das teorias liberalóides do acéfalo P. Coelho do ir além da troika. Será inglória a nova tentativa de muitos simpatizantes ou seguidores do PSD de fazer um "reset (levar o ponteiro a zero)" da estupidez do governação PSD-CDS em tempos de troika, já que se há uma componente socialista na tragédia da troika, não é menos verdade que houve um aproveitamento manifesto do acéfalo P.C. ,seus mentores e grande parte do laranjal, para alcançar os seus objectivos: privatização total dos pertences do estado (Tap, privatizada em tempo final do delírio, gestão do aeroporto, CTT empresa rentável, EDP transformada em empresa rentista, ...). Os portugueses não esquecem o ataque às suas reformas, nem o incumprimento das promessas feitas.

 A tão prometida chegada do diabo, não se cumpriu até hoje. Então o que dói a tantos  desapontados do PSD(e na sua maioria gente decente)? Em primeiro lugar a falta de liderança do partido PSD (agora na terceira linha passista, Montenegro de seu nome) e a criação do vírus Chega, criado pelo P.C., e que lhe retira votos das urnas. A retórica vigente no PSD é a instalação do ódio ao partido socialista e a António Costa, seu líder.

La Palisse diria que António Costa não é propriamente um santo nem um diabo. Aqui o que dói, é que PC e seus seguidores não admitem que a geringonça e o PS que se lhe seguiu lhe infligiram uma derrota política em toda a linha. Por metodologia diferente alcançou-se uma elevada diminuição da dívida (de cerca de 130 a 100%) do PIB. E o reconhecimento da "Standard & Poor´s da classificação da dívida como positiva". Casos, casinhos invocados pelo laranjal e não só, não passam afinal de casos e casinhos. Segundo padrões limitados e pessoais, graves e discutíveis decerto.

É tempo do PS tomar em mãos, com coragem, a resolução dos problemas do SNS e a problemática Educação, entre outros, para todos os portugueses. E é de carácter imperativo a sua resolução.

O panorama político português é complexo. Quando se requeria e exigia, em tempo de crise, serenidade presidencial, foi desencadeada uma crise desnecessária. Aguarde-se pelo resultado e, espera-se, que o PR seja em consciência forçado a confessionário. Voltar - se -à em 2024, ano que promete ser agitado. Bom Ano para todos !.





domingo, 24 de dezembro de 2023

 

Bom Natal e Ano Novo 2024, numa Palestina humanista.

Menino Jesus e a Virgem Maria

[Sandro Botticelli: Bardi-Altar, 1484]

Mensagem de Paz, ternura e amor