sábado, 2 de julho de 2011

O silêncio dos inocentes

Publicados os resultados das eleições legislativas e formado novo governo PSD/CDS, as primeiras medidas de austeridade não se fizeram esperar. A linguagem dos políticos é sempre criptada e a verdade económica continua a ser escamoteada dos portugueses.A situação é clara, não há dinheiro a curto termo para o Estado cumprir os seus compromissos nacionais e internacionais.Não discutem as reais causas e motivações que nos conduziram até aqui. Polítíca com conteúdo significa equacionamento dos problemas e sua discussão global, clara e acesa no Parlamento de modo a que as medidas sejam consideradas pelo cidadão resultado de um imperativo nacional para se sair deste imbróglio.
O tempo eleitoral  foi intencionalmente delapidado e desperdiçado com questões de somenos importância. Visitar a propósito deste tema a ligação: Colapso Global. É lapidar a forma como as primeiras medidas de austeridade deste Governo foram tomadas. Não foram explicadas as razões da investida brutal contra o subsídio de Natal. O argumento de que só dois dias antes os actuais governantes se aperceberam de mais um buraco financeiro, nao colhe. Das duas uma, ou o actual Governo sabia e não disse ou se não sabia a confiança depositada por uma significativa parte da população portuguesa foi ludibriada. Depositaram a sua confiança noutra nebulosa. O tempo actual é feito de mudança e, neste sentido, se as medidas eram necessário há a obrigação de uma nota explicativa, que não existiu nem certamente vai haver. O enquadramento também conta: aumento de impostos é uma medida estúpida (ecos do passado) e este imposto tem carácter excepcional (música wagneriana para o presente). Quanto ao futuro, nada se diz, mas de previsão deterministica seguramente sobreaquecido.
Ficamos muito contentes em saber das privatizações da REN, EDP, RTP, TAP, ANA e quejandas. Convenhámos que o nosso contentamento é acrescido por documentos em inglês que grande parte desconhece e pelo facto de termos um governo eleito democraticamente que excede os limites das soluções de cura propostas. É, todavia, interessante comparar os textos da Troika e do programa do Governo. Não é pela extensão dos textos que se vê o real conteúdo.
O liberalismo económico vai libertar o cidadão deste aperto económico, mas num futuro radioso ,que começa desde já com a venda dos poucos dedos dignos de alguns anéis ainda preciosos, à escala do burgo. Uma vez desbaratados, fiquem os cidadãos tranquilos, as facturas mensais irão baixar drasticamnte  pois o bem supremo do capital financeiro vai ser muito generoso, como se pode facilmente testemunhar pelos juros da dívida portuguesa e da Europa vendedora de automóveis de luxo e de submarinos mortíferos. Estes, ao que parece, ainda não são postos a leilão pois servem para a defesa estratégica  das Berlengas.
O cidadão, qual Asterix insuportável, deve continuar a ser punido sem apelo nem agravo e sem qualquer explicação. Deixem os agentes do capital económico resolver tudo, e amanhã todos os cidadãos serão capitalistas ao nível e estilo da Microsoft.
Aos governantes basta falar em Agricultura e Mar. Ao agricultor basta produzir nabos e estes serão automáticamente vendidos nos hipermados actuais, como acontece actualmente. Quanto a idas ao Mar, há um claro exagero, porquê ir pescar se não há combóios para transporte do pescado? Os cidadãos são uns chatos agora questionam qual a diferença entre um pinóquio original e um da actualidade. Os novos mandarins avisam: é preciso cortes nos salários e manter as tropas arregimentadas. Falta preencher ainda, diz-se um buraco de 1000000 €, mas atrás de um buraco outro surgirá. O BPN é um possível território de caça. Mas descansem os portugueses, um canal da televisão já náo irá ser privatizado. Consultados os oráculos, estes decidiram que os proventos da publicidade não dá para mais um jogador (player), o que significa  mudança de 1/2  para 1/3. 
Em conclusão, dirigível à deriva. Sem norte! Tiros sucessivos nos pés. E não se podem queixar da falta de colaboração de todos os portugueses. Falta uma simples folha A4, onde com clareza se esclareça: o  deve e o haver. O deve não é exclusivo do cidadão pagante. O haver não pode ser de alguns. Já toda a gente percebe todo este pantanal. Voltámos, à pergunta anterior: contas claras e depois a exigência de  sacrifício nacional por uma causa justa e equilibrada.
 Deste modo discricionário não se vai a parte alguma e as medidas ora tomadas só vão gerar mais angústia e desespero. Há muito cidadão honrado, não deve o poder político empurrar  estes cidadãos para um outro cenário. Os dados estão lançados. Basta de manipulação de conversas moles como a supressão dos governos civis , de sub-directores, de viagens em executiva (que nem pagas são). Míseros euros. Quere-se uma política de conteúdo, à escala de milhares de milhões! Os desempregados exigem emprego. Da destruição da indústria, da agricultura, das pescas  no passado colhe-se agora o fruto. O que os políticos não dizem é da falta de capacidade do país em meios técnicos, cientificos e humanos. Com programas de sangue,suor e lágrimas. A ganhuça fácil, a ascensão meteórica dos boys e da politiquice de bolso  levou ao fim de linha. Porém, à ida continuada  aos bolsos dos cidadãos, por vias invias, não muito obrigado!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Angueira-Legislativas 2011

As legislativas 2011 vão ter um impacto nunca até agora visto, com medidas drásticas e brutais impostas pelo memorando da troika. O governo que sair destas legislativas,apenas poderá aplicar as medidas previstas nesse memorando. Constitui um acto vergonhoso para todos aqueles portugueses que sabem ler a ignomínia por que passa um país, com as raízes assentes num capitalismo selvagem, sem regras. Nada se espera de um governo apoiado por partidos que trataram os seus cidadão com uma falta de vergonha, despudorada. As negociatas dos rapazolas de todos os partidos, dos banqueiros falsários e dos submarinos para defender as arribas do Douro conduziu a este estado de coisas. Falarão em deficite, em dívida, em empreendedorismo, em mil e uma coisas. As facturas serão, sem qualquer remorso, enviadas aos do costume: funcionários públicos, reformados e trabalhadores dependentes. Os corruptos, que em Portugal não há, viverão a sua liberdade de sempre. As offshores continuarão o seu percurso. Qualquer dia, o cidadão comum, verá reduzido o seu valor de trabalho em 30%, a bem da Nação como no passado se dizia. Antes de mais, os políticos CDS,PS e PPD vão ter que pôr transparência nas contas e dívidas. Garantia sine qua non para pedir sacrifícios aos de sempre. As ruas vão tornar-se agitadas nos próximos tempos se a decência não regressar e em força. Quando se fala de todos, todos é todos!
Após, o resultado das eleições não resta senão a aplicação do memorando. Grandes políticos estes que nem se dignarem traduzir para português um documento escrito em inglês. A campanha eleitoral esclareceu nada e as legislativas em Bragança são dispensáveis: PSD-2; PS-1. Anteriormente era ao contrário: PS-2, PSD-1. Ironia, alguem se lembra da eliminação do caminho de ferro para Bragança? Quem foi o responsável? Ninguém! A auto-estrada em construção vai obrigar ao pagamento de portagens? E então Bragança-Alcanices também vai pagar! A propósito, o Snr. Deputado eleito pelo PSD, de nome Viegas, vai de imediato obrigar-se à construção de uma estrada alternativa: Bragança-Vimioso. Já é tempo de se  abandonar a conversa mole.
De seguida, publicam-se os resultados Legislativas_Angueira_2011 e a respectiva ligação.
( http://www.legislativas2011.mj.pt/ )

Resultados de 2011

 
  • PSD 45,54%46 votos
  • PS 27,72%28 votos
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  • CDS-PP 12,87%13 votos
  •  
  • PCP-PEV 4,95%5 votos
  •  
  • PCTP/MRPP 1,98%2 votos
  •  
  • MPT 0,99%1 votos
  •  
  • P.H. 0,99%1 votos
  •  
  • MEP 0,99%1 votos
  •  
  • PPM 0,99%1 votos
  •  
  • PTP 0%0 votos
  • B.E. 0%0 votos
  •  
  • PDA 0%0 votos
  •  
  • PNR 0%0 votos
  •  
  • EM BRANCO 0,99%1 votos
  •  
  • NULOS 1,98%2 votos
  •  
  • Votantes : 101 ; Inscritos :186
  •  
  • Votantes
  • 54,30%Votantes: 101
  •  
  • Inscritos: 186 Lista Resultados Mandatos
  •  

Resultados de 2009

Votantes

64,43%Votantes: 125 ; Inscritos: 194

Perguntar-se à quantos dos eleitores do distrito de Bragança saberão inglês? Poderão ser condenados com um pronuncionamento em língua que não entendem ? Bruxelas-poder julgava os flamengos em francês, desconhecendo estes a língua francesa. Será que voltámos a esses tempos? No passado os problemas entre nações resolveram-se sempre através das baionetas, sejam elas francesas, inglesas, alemãs, americanas ou outras. Hoje, os problemas são mais dissimulados, mas o poder economico, financeiro e militar está  contido na mesma problemática. A humilhação pública de países deu sempre mau resultado. Os políticos já nao enganam mais, a não ser quem quer ser enganado.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Censo 2011

Notas soltas sobre os Censos

 Sob forma gráfica, regista-se a evolução da população de Angueira num período bastante longo (1864-2011) e baseia-se nas Tabelas  indicadas no blogue sobre Angueira, constituindo um trabalho meritório para quem as apresentou. Representam uma bela e incisiva catilinária para os governantes de todas as épocas, incluindo os actuais.
 Os gráficos aqui apresentados permitem uma leitura mais fácil e mostram à saciedade o desleixo a que o poder político central e não só  a tem votado, em semelhança com toda a zona interior do país.Os tempos actuais são de mudança e necessário se torna discutir qual o papel que cada um vai ter que assumir perante a clara tendência de desaparecimento integral da aldeia tradicional num horizonte temporal relativamente próximo, se a tendência não for invertida. A todos, novos e menos novos, se exige o contributo possivel de cada um. É nesse sentido que se apresentam factos e não discussões estéreis. A situação actual do país tem uma longa história, mas as injustiças reais e republicanas também. Em plena época monárquica a população foi sempre aumentando, prolongou-se pela primeira República e atingiu o seu ponto máximo na década de 1940-1950. A variação da população teve uma quebra (Graf.2)  em torno de 1918 - associado à epidemia da pneumónica e a partir dos anos 50, o decréscimo da população foi brutal. Para que conste, foi preferencialmente  o Brasil que acolheu os nossos compatriotas. É esse Brasil honrado que acolheu como pode e foi um oásis de terra que lhes possibilitou uma nesga de esperança material, que nem sempre se materializou para todos. É esse Brasil que, hoje, alguns portugueses  néscios ofendem, com descarado despudor e maquiavelismo. Falámos de tempo de crise, onde a fome rondava por perto e o trabalho braçal era árduo, mal remunerado e sem futuro, tal como agora o é, problemático e incerto. Neste tempo de eleições legislativas já não basta ter um clube, é necessário saber interpretar a linguagem criptada dos políticos. O tempo do chico-esperto e do subsídio-dependente acabou e mal. Essas facturas estão a ser cobradas, e não tenhamos ilusões, os portugueses irão ser esprimidos até aos limites do racional. Candidamente, todos os responsáveis políticos que nos conduziram até aqui referem que todos somos culpados. As razões são óbvias. Por ironia, falam agora os partidos de novo em agricultura. Precisamente aqueles que a destruiram, distribuindo em troca prebendas, jipões, projectos PIN e tudo o que quiserem meter neste pacote, a quem não era justo atribuí-los. Agora somos todos iguais, no acto do pagamento da factura. Então como é?
De toda a prosa dos programas dos partidos não resta nada com conteúdo.A única resposta seria a apresentação de uma simples folha A4, com a dívida do país e as instituições por ela responsáveis. Isto permitiria fazer contas e assacar responsabilidades, só que isso não só não querem como baralham para tudo continuar na mesma. Enquanto não houver transparência nas contas pública e privada não se vai a qualquer lado. Ora só se pode exigir esforço financeiro ao cidadão quando este achar que foi responsável ou co-responsável pela dívida em causa.  A evidência dos factos e a imprensa portuguesa (parte) já começa a tornar claro, quem é quem e responsável por quê. Os rapazolas dos partidos têm uma caracteristica comum: defendem os seus interesses particulares em detrimento do bem comum. O triste espectáculo dos lideres partidários 1, 2 e 3 entretêm a forte gente com coisas ridículas. Para meditar. Um qualquer E.C.fala de ninharias com vocabulário de carroceiro, mas claro esquece-se de falar na suas prebendas milionárias. É fácil manipular o chicote contra reformas de miséria, mas difícil abdicar de verborreia inútil. Os tempos são de estudo, reflexão e trabalho. A começar pelo pedaço de papel que cada um depositará nas legislativas próximas. A liberdade é um bem supremo, mas o voto actual é mais exigente  que a simples adesão a um clube.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O foro de Nuez

Fuero de Nuez - Comparação com o foro de Angueira

A interpretação do foro de Angueira exige um estudo mais aprofundado. De momento, vamos verificar as coordenadas em que tal se processou. Existe uma tradução em mirandês devida a Amadeu Ferreira. O foro de Nuez  - pequena povoação fronteiriça nas proximidades de Quintanilha - na sua versão em castelhano, é o seguinte:
"FUERO DE NUEZ
AHN, Clero, Moreruela, c. 3.552, núm. 7 (antes Leg. 2332).
(Ed. José Ríus Serra, Nuevos fueros de Tierras de Zamora, AHDE, VI (1929), 450-451).
Comentario

1238, mayo
El abad Esteban, de Moreruela, da fuero a los moradores de Nuez

In Dei nomine. Amen. Saban elos que agora son ye les que an por venir que yo don Esteban dicho abbat de Morerola, en sembla con el convento de el mismo lugar, a vos, conceyo de Noz, de buen coraçon ye de bona voluntat, ye por el amor que vos avemos, ye por el servicio que nos feziestes ye faredes, otorgamos vos ye confirmamos vos este foro, convien a saber:

1.- Cavadas ye posteria que facierdes, avellas por heredad vos ye vostros fiyos ye todo vostro linage por iammais, asi que vos fagades a nos este foro de elas, morando ena villa dar nos cada anno IIII soldos por el san Martin.

2.- Ye ome que fur morar a otro lugar ye venier lavrar elas cavadas ou las lavrar outro por el dar a nos ela quinta del pan delas, ye el diezmo dar a la ecclesia de Noz.

3.- Ye el omme que por mingua ou oita que aa, ou que se quiera it de la villa ye quisier vender cavada que faga, ou vinna ou otra posteria que ponga, digalo al nostro frade, ye se lela quisier comprar ata cabo de XV dias, se non vendala a vasallo del monesterio de Morerola desencalonnada, pues que el frade non la quier comprar.

4.- Omme que fezier duas casas pedrennas ou posteria ye quisier morar en otro lugar, partalas con el frade por medio, ye selas vendir vendalas a quien faga foro, ye selas non vendir ye tomar quisier a la heredat, sacar aquel que morar en las casas ye entrar el en elas.

5.- Quien matar omme peiche X morabedis al monasterio.

6.- Quien forciar fiya ayena ou mulier ayena peche X morabedis.

7.- Quien ferir de la barba ariba ye fezier livores peiche X morabedis al que recibe ela desorna, ye sela otorgar al sennor recibala, se non deleysela.

8.- Quien dier punnada enna cara que sea frontada peiche X morabedis; quien ferir de la barba aiuso, por el corpo, que saque sangre peiche V morabedis, ye por rompedura que faga en roupa peiche V sueldos.

9.- Quien fur en bando peiche I morabedi al sennor.

10.- Mandamos asi de las cavadas se dalguno quisier vender cavada que faga ou vinna, asi quomo de suso dixiemos, vendala al nostro frade lealmientre por quanto la otre dier; ye se el frade non lele quisier comprar, vendala a outro, asi quomo de susu dixiemos. Se per aventura el frade trobar despues que la vende a otro por menos, peiche a nos X morabedis.

Yo don Esteban, dicho abbat de Morerola, en sembla con el convento de es mismo lugar, a vos el conceyo de Noz aquesta carta que mandemos fazer rovramos, ye este foro otorgamos ye confirmamos. Se algunu venier de dalguna parte que aquesta carta quisier quebrantar, sea maldito ye descomungado ye con Judas traidor en enfierno condempnado, ye peche en couto CCCos. morabedis al abbat ye al convento de Morerola. Feicha ella carta en el mes de mao, su la era MCCLXXVI, regnando el rei don Fernando en León ye en Castiela con sua madre ela reina domma Beringuela, bispo en Çamora don Martin, bispo en Astorga don Nunu, merino maor en Leon Garcia Rodriguez Carnota, maordomo del rei Garcia Fernandez. Testes qui viron ye oudiron:

(1ª columna): Don Domingo, el prior, cf. Don Miguel suprior cf. Don Pelai de Bregancia, cellarero maor, cf. Don luanes, maestre de los frates, cf.

(2.ª columna): Don Estevan, portero, cf. Don Stevan, sacristan, cf. Don Lorienz, enfermero, cf. Domingo Pelaiz, vestiario, cf. Pedro Rodriguez, cantor, cf. Ye el convento de Morerola cf.

(3.ª columna): De Nos, Martin Martinez, nostro maordomo, cf. Martin Xemenez. Pedro Galvanez cf. Ye el conceyo de Noz cf.

Volver a Fuentes"

Fuero de NUEZ versus Foro de ANGUEIRA

Em primeiro lugar, o número de artigos é menor (10) ,em claro contraste com o de Angueira que tem (21). O ano da feitura do foro de Nuez (1238) é anterior ao de Angueira, existindo entre eles uma diferença de 19 anos. Alguns artigos são comuns a ambos os foros e serviriam de base de trabalho para estes e outros foros. Aliás já faziam parte até de foros anteriores, como consta , por exemplo, também no foro de IFANES (1220), anterior a qualquer deles. De notar que a data dos foros era a data gregoriana, que tem que ser actualizada para a data vigente (ou seja énecessário subtrair 38 anos à dada factual do documento-foro base).Também o clausulado do foro de Ifanes é menor que o de Angueira, resultando este facto da imposição do tipo senhorial existente em Angueira e não em Nuez e Ifanes.
Em particular, os moinhos são citados como fazendo parte integrante do património de Angueira. Qualquer tipo de apropriação, mesmo nos tempos actuais, com ou sem fundos europeus é abusiva.
Em Angueira é citado um certo dom Tello, e estão claramente impostas regras onde não se pode pescar ou lavrar. No que respeita aos deveres dos vassalos do mosteiro de Moreruela estão expressos em termos de géneros, moeda ou trabalho. De salientar, que o crime de sangue, era remível a dinheiro (moravedi ou morabino). A existência de um certo tipo de possessão senhorial viria á originar várias querelas entre as influência galego-leonesa e portuguesa.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Inscrição romana de Angueira_JLV

Inscrição romana de Angueira_JLV (1902)

Pela sua importância, significado e análise fidedigna da inscrição por parte de J.Leite de Vasconcelos iremos hoje descrever esta pedra histórica, na sequência da mensagem anterior onde se indica um conjunto de achados na periferia de Angueira e que fazem parte da sua história. Segundo descreve J.L.Vasconcelos no Archeologo Portugues (p.324), no sítio da Cocolha têm aparecido vários objectos arqueológicos, citando nomeadamente: de bronze, de barro, moedas e pedras aparelhadas. Não é conhecido  (por mim)n o paradeiro destas peças, embora na listagem referida, figure uma peça de (?bronze) existente no Museu Abade Baçal.  Esta informação poderá levar ao conhecimento do seu paradeiro (s).
Numa das viagens de JLV pelo país, acabou por passar em Angueira onde viu (1902) uma pedra de xisto, partida, de grande dimensão (2,33 m) com uma inscrição que, pela sua importância, foi objecto directo do seu estudo. A inscrição dizia e citámos:
"AMITATI
MOGITI
AN.XXX"
No dizer do próprio J. L.Vasconcelos " Que interpreto assim: Amita, Ti(berii) Mogiti (filia), an(norum)XXX, ou em vernáculo: Amita, filha de Tibério Mogício, de trinta anos de idade". Esta pedra existe, reconstituída no Museu Etnológico (Lisboa). O nome de Mogiti é de origem celta (refere), encerrando a ideia de" grande".
Como os tempos de hoje são de mudança acelerada, onde o instante prevalece sobre o tempo largo da história, torna-se necessário repensar qual o incerto destino de Angueira actual. Uma das componentes terá também que ver com a sua história e, por isso, propõe-se que seja dado o nome de rua : AMITA MOGITI  à rua que começa na Casa do Povo e vai até à Ponte da Sanca, passando por várias casas, nomeadamente do comércio de R.P. e D. Laura, entre outras. À J.F.Angueira deveria caber o andamento desta proposta. Futuramente, deveria colocar-se uma réplica desta pedra, no muro contíguo à Casa do Povo, onde teria ínicio.
A descrição desta pedra fica, pois registada, ficando por resolver algumas questões que podem ou não estar correlacionadas com as letras "MO" existentes na pedra vertical colocada no pequeno jardim, junto à CP.
Conclusão: A comparação poderá conduzir ao local da pedreira e ao local de origem do artesão que a trabalhou. Aponta-se muitas vezes, a ideia que estes artesãos poderiam deambular por vários locais, e não ter residência fixa. Pelo menos, neste caso, a resposta correcta é possível.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Angueira - Foro - Sec. XIII

Carta foral de Angueira - Séc. XIII (1257)
Enquadramento histórico-político da região geográfica

Para uma compreensão mínima da evolução politico-administrativa da população ancestral que habitou esta zona geográfica é necessário enquadrar as populações e as suas actividades em termos de interesses vários (económicos e militares) que englobam interesses mais vastos que os de Angueira. Naturalmente, Angueira é anterior ao nascimento da nacionalidade portuguesa (1143), desempenhando D. Afonso Henriques, enquanto  ainda mero príncipe, uma influência detectável nalguns documentos históricos na zona limitrofe de Angueira (e hoje território espanhol).
Temporalmente, as estelas romanas localizadas em Angueira apontam para a época: Séc.II-Séc.III. Os Séculos IV a VII são caracterizados pelas invasões bárbaras com administração conjunta romano/bárbara, ou exclusivamente bárbara. Pouco restou, em termos de vestígios, do periodo bárbaro. Todavia, há certas palavras desta origem (Sueva), nomeadamente o termo: Adilão.  Já referimos que Angueira se insere numa região geográfica especial, pois constitui um vértice ou confluência de várias regiões e povos, bastante diferenciados entre si. Por ora, deixaremos de lado esta questão.
O início da chegada dos bárbaros à Peninsula Ibérica aconteceu no ano 409 (D.C.). A sua entrada deveu-se à degradação efectiva a que tinha chegado o domínio romano quer no domínio militar e económico quer, e essencialmente, na área dos costumes e degradação moral. Por outros palavras, a decadência romana permitiu uma certa lassidão que conduziu ao avanço dos povos (classificados pelos romanos) como bárbaros. Vagas sucessivas atravessavam os Pirenéus e iam fixando-se nas terras disponibilizadas pelos romanos. Já sem poderio militar, os Romanos começaram por estabelecer certas regras de fixação, sendo inicialmente aceites por estes. Ocupavam áreas não possuidas pelos Romanos ou autóctones e, sendo os seus hábitos e costumes, bastante diferentes do padrão romano começaram por fazer as suas próprias construções para habitação e actividades afins. Estas eram, em geral, de madeira e barro e consequentemente é esta a razão dos poucos vestígios por eles deixado. A onomástica é rica e va terminologia sueva é bem conhecida. Já indicámos o termo: Adilão, e uma aldeia com nome da mesma matriz é a aldeia de Gimonde. Abundante em cursos de água, pequenos terrenos de cultivo, zonas montanhosas inóspitas, madeira para construção e lenha para aquecimento. Em termos relativos, locais mais amenos em termos climáticos, constituindo  pequenos paraísos comparados aos gélidos locais de origem.
Cedo se aperceberam da fragilidade dos romanos, distante dos áureos tempos de poderio militar praticamente imbatível, substituindo-se, a breve trecho, ao poder romano na administração do território. O Império negociou com os bárbaros no ano 411 (D.C.) a partilha de territórios, cabendo aos Suevos bem como aos bárbaros Andingos a Galécia, onde acabariam por ter a sua capital em Braga. O reinado suevo foi estabilizado entre 430 e 456. Conflitos entre Suevos e Astingos desestabilizaram a populações e o aparecimento da violência e abusos sobre estas cedo se fizeram sentir.Os ecos desses tempos incertos foram relatados pelo Bispo Idalécio, de Chaves, que chegou a ir à Gàlia (em 431) à procura de auxílio militar para combater os Suevos. Sem resultado, o domínio bárbaro suevo foi-se implantando, com conflitos permanentes com outros bárbaros de igual matriz e divergências religiosas à mistura. Os Suevos acabariam por ser dominados pelos Visigodos, convidados pelo Império para combater os Suevos. Esta descrição sumária destina-se a fazer um enquadramento breve do passado suevo destas terras (no limite extremo da Galécia). Cerca do ano 531, a influência de Roma é já nula e a Peninsula Ibérica torna-se um palco de lutas rivais entre Suevos e Visigodos, em que o elemento religioso desempenha um papel importante. Os Concílios de Toledo e Braga constituem um ponto alto dos supostos desvios litúrgicos. Em 711, morre o último rei dos Visigodos. A prosperidade económica desta região e da segurança das populações garantida pelas legiões romanas chegara ao fim. A decadência acentua-se. Em breve, entram em cena os Muculmanos com a invasão da Peninsula Ibérica. Vencem os Visigodos em Guadalete e, em escassos anos, tomam conta da Peninsula Ibérica. Os centros de poder visigótico são facilmente tomados (Toledo) e o poder muculmano emergente rápidamente se lança numa dupla  luta: a militar e a religiosa. Os cristãos abrigam-se nas montanhas do Norte e dão origem à Reconquista. Novos poderes emergem nas Astúrias e em Leão e passam a ser relevantes no apelo à expulsão dos Mouros da Hispânia. A zona onde Angueira se insere é palco de lutas intensas e o eco lendário das celebradas lutas entre cristãos e mouros ainda hoje persiste. Porém, a Reconquista exige esforços económicos enormes e população jovem disposta para a luta abandona as terras esgotadas e pouco produtivas. Esta zona fica exausta e a densidade populacional decresce ao nível de quase zonas desérticas, por oposição à população existente no apogeu romano  nesta área. Em sentido restrito, a actual zona de Aliste.
Para combater a desertificação, a política seguida pelo Reino de Leão, alia-se à actual França, na época com população excedentária. O Rei Afonso VI de Leão e Castela, em 1109, convida os monges de Cister para o reordenamento e povoamento destas áreas desertificadas e fixa estes monjes em Granja de Moreruela (Zamora). Os contactos com Borgonha faz parte da estratégia delineada e, é neste contexto, que surge o pai de Dom Afonso Henriques.
 Este mosteiro de Moreruela apresenta todo o regulamento jurídico de Angueira (Carta Foral), encontrando-se nessa mesma depência politico-administrativa grande parte das aldeias do Planalto Mirandês. De notar que a freguesia contígua - São Martinho de Angueira dependia do Mosteiro de São Martinho da Castanheda.
Como este texto já vai longo, e apenas constitui um esboço da evolução de Angueira, iremos voltar ao tema novamente. É, pois natural, que a documentação sobre Angueira esteja arquivada no Arquivo Distrital de Zamora e é dele que provém o estudo inicial de Angueira.  À responsável pela Edição -  Isabel Alfonso Antón, Angueira agradece. Apresentamos, por ora sem qualquer comentário, o respectivo documento. Algumas das normas aqui indicadas (em latim), ainda vigoravam na nossa meninice (por volta da década de 50, do Séc.XX).


  • FUERO DE ANGUEIRA - 1257
  • AHN, Clero, Moreruela, C. 3.554, núm.1
  • Ed. Isabel Alfonso Antón, La colonizaçion cisterciense en la meseta del Duero,doc.144,pág 459-460)
Fuero concedido a la villa de Angueira por el abad Gutierre y su convento de Moreruela
In Christi nomine amen. Hec est carta perpetuitatis et perpetue firmitudinis quam ego dompnus Guteris dictus abbas de Morerola et conventus eiusdem domus facimus et statuimus cum hominibus et vassallis nostris qui sunt et morantur in villa nostra que dicitur Angueyra, et est in terra illa que dicitur Miranda. Cum presentibus qui ibi morantur et modo iam ibi sunt et futuris que venturi sunt et ibidem moraturi, facimus et statuimus tale pactum et tale forum eis damus et concedimus:
1.- Ut si quis ex eis omicidium fecerit pectet nobis X maravedis et componat cum inimicis suis prout melius potuerit.
2.- Si quis cum cultello vel cum aliis armis quibuscumque vicinum suum percusserit, si sanguis eo qui percutitur exierit, pectet nobis 1 maravedi pro in prima; si vero sanguis non exierit et vestimenta dirupta fuerint, similiter I maravedi nobis pectabit.
3.- Si iudices habuerint, tercia pars tocius calumpnia de fratribus erit et alia tercia illius qui conqueritur, et alia iudicibus detur.
4.- Omnis homo illius ville quicumque in bandum exierit vel venerit, I maravedi pectet, due partes fratribus dentur, et tercia iudicibus.
5.- Mulier vidua que ante annum nubserit, dabit nobis 1 marabedi et nubat quando voluerit.
6.- Si quis in vita sua hereditatem suam relinquerit, et in alio loco vel in alia villa morari volucrit vel vassallus alterius hominis vel alicuius militis fieri voluerit, non habeat potestatem vendendi hereditatem suam nisi prius dixerit fratribus ut emant eam; et si fratres noluerint vel non potuerint eam comparare, tune homo ille vendat tali homini qui forum faciat fratribus, et sit noster vassallus.
7.- Hanc legem et hunc forum habeant filii et filie quando pater et mater ab hoc seculo migraverint, ita ut sint semper nostri vassalli quandiu ibi habitaverint in hereditate nostra.
8.- De algaravitate vero dicimus quod quicumque homo vel mulier sine filio vet filia vel sine parente obierit, fratres de Morerola accipiant et habeant omnia bona sua mobilia et inmobilia.
9.- De manaria similiter dicimus quod si sine fine filiis et filiabus mortuus fuerit, fratres habeant et recipiant terciam partem omnium que habet mobilium et inmobilium. Et alia tercia pars detur ecclesie propter opus ipsius ecclesie.
10.- De rauso filiorum vel filiarum dicimus quicumque per rausum levaverit filiam vicini sui vel vicine sue, pectet nobis I mr. et componat cum parentibus illius mulieris que passa est iniuriam.
11.- De vineis quoque dicimus quod quicumque voluerint plantare vineam et facere in hereditate nostra, quartam partem habeant fratres de Morerola, et alias tres partes illi qui plantaverit.
12.- De decimis dicimus quod omnes decime fratribus dentur, tam de laboribus quam de peccoribus omnibus, et de illis quecumque creaverint et habuerint.
13.- De foris quod nobis debent facere, dicimus quod in festo Sancti Michaelis, quod est in mense Septembris, omnes nostri vasalli ville que dicitur Angueyra debent et tenentur nobis persolvere per singulos annos III solidos. De omnibus illis qui non sunt heredes, placuit nobis et ipsis quod persolvant fratribus XVIII denarios per singulos annos in festivitate Sancti Michaeli.
14.- De geris duas dent, unam ad secandum et alteram ad panem excutiendum. De carreris dicimus quia quocienscumque necesse fuerit faciant. De molendinis dicimus quod nullus ibi faciant molendinum, exceptis fratribus de Morerola.
15.- De duobus pelagis de Terroso dicimus quod nullus ibi piscari nec ibi scindere ligna vel arare; similiter dicimus de illis duobus pelagis qui sunt super domun cum sua facera ex utraque parte fluminis, quod nullus sit ausus piscari ibi nec ligna scindere vel arare. Similiter dicimus quod a prato quod fuit de dompno Tello usque ad terminum de Zarapicos nullus ingrediatur causa scindendi ligna aut arandi. Defensa de Ciragrillis que fuit de dompnus Tello sit de fratribus de Morerola. Similiter de defensa que est contra Alcanizas dicimus quod sit de Concilio.
16.- Omnis populator qui invenerit domum factam sine labore in secundo anno faciat forum suum, et si domun de novo fundaverit, per V annos non faciat forum.
17.- Similiter decimus quod omnis populator qui ibi populaverit sit incautatum corpus eius et quantum habet usque decem annos in XX mr. quos pectaberit fratribus de Morerola, si hereditatem dimiserit, et det nobis quantum forum neglexerit et perdat hereditatem in perpetuum.
18.- Dicimus et statuimus quod totum concilium serviat abbati, priori et cellarario maiore de Morerola, quocienscumque ad eos venerint, cum pane et vino et piscaminibus et carnibus et cum ceteris comestionibus que apud illos fuerint; similiter et dommo regi et maiorinis suis in comestionibus faciant.
19.- Mandamus etiam firmiter concedimus quod si aliquis homo vel mulier voluerint sepelire in monasterio nostro, in morte sua dent nobis, fratribus de Morerola, terciam partem de omnibus quecumque habuerint, tam inmobilibus quam mobilibus; quod si contigerit ut non velint se sepelire in monasterio nostro in Morerola et se voluerint sepelire in Angeyra, vel ubi voluerint, dent nobis mediam terciam.
20.- Similiter dicimus quod omnis vicinus quicumque supervenerit gratia commorandi, non habeat potestatem accipere possessiones aliorum qui sunt ibi commorantes et edificantes predictum locum, set laboret et dirumpat per saltus et nemora.
Nos eciam dompnus Guteris supradictus abbas de Morerola, de consensu tocius conventus, presentem cartam corroboramus, et ut maiore gaudeat firmitate, sigillo nostro eam fecimus communiri. Facta carta sub era M. CC. LXXXXV.
Conclusão: Foi esboçada a evolução do poder abrangente sobre esta região e delineou-se a evolução temporal de Angueira durante o instável periodo que demorou vários séculos, até ao seu resurgimento com a carta de foral dos monjes de Cister (Moreruela). Este texto, deveria figurar como obrigatório de todo e qualquer estudante de Angueira, já que poucas populações se podem orgulhar de documentos escritos tão antigos. Outros há, em que Angueira está no centro de múltiplas intervenções ao mais alto nível político da época. Aparte a animosidade ainda actual contra os mouros, deixaram alguns instrumentos agrícolas importantes, do qual se destaca o picoto (ou cegonho, em linguagem local). Apesar da sua curta permanência nesta região, deixaram marcas indeléveis nos métodos agrícolas. O seu máximo  esplendor ocorreria, porém, em Sevilha.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Estelas Romanas de Angueira

As Estelas Romanas de Angueira - Encontros e desencontros
Património cultural
  • Achados arqueológicos
  • Localização e paradeiro actual
Diversas observações levam a supor que um número não desprezável de achados arqueológicos têm sido encontradas em Angueira. Pôe-se a questão de saber, com veracidade, qual o número provável de achados e, se possível, descrever a trajectória dos mesmos e referenciar a sua localização actual. Uma breve indagação sobre  Hispânia Epigráfica permitiu ter acesso à descrição e localização de algumas estelas romanas. As estelas identificadas, com a respectiva informação, por esta via (ou similar) foram as seguintes:
  1. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) A.M.Mourinho, Brigantia, 7 - 1,2, 1987, pg. 116, nr.50[12].
  2. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) B. Afonso, Brigantia, nr.10, 1990, pg. 218[13]
  3. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) B. Afonso,1996, pg.177-178. Estela anepigrafa de cabeceira semi-circular, rosácea de seis raios dextrógiros, proveniente da Cocolha [1177].
  4. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) B. Afonso,1996-A.Redentor. Estela bisoma de cabeceira  proveniente da capela de São Miguel e localizada junto à JF [866]. Tentativa de leitura :"D(is)M(anibus)/Corneliae/Pintonis/A(n(norum)XV".
  5. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) B. Afonso,1996-Inscrição: MO. Local actual: Jardim JF
  6. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) B. Afonso,1996- Inscrição: OOGI.Local actual:Jardim JF
  7. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) - Museu de Miranda do Douro.Proveniência Cocolha.
  8. Angueira (c. de Vimioso, Bragança, P.) - Museu de Miranda do Douro.Proveniência Cocolha.[Nota: Estas duas estelas foram entregues a A.Reis que, por sua vez, as entregou ao Museu de Miranda do Douro (relato directo)].
  9. Angueira (c. de Vimioso, Bragança). Proveniência Cocolha (1903). Local actual: Lisboa. Esta estela é de uma grande importância e significado. Foi enviada a J.L.Vasconcelos pelo Reitor da Sé de Miranda para armazenamento e conservação. Para além da decifração da inscrição JV faz um enquadramento histórico dos nomes nela envolvidos. Aponta a Cocolha como um sítio de origem celta. Aliás, as referências 5 e 6 com as designações assinaladas são apontadas também por outros peritos (Abade de Baçal). Tratar-se-ia destas mesmas ou de outras com iguais símbolos?
  10. Fíbula, proveniente da Cocolha e exposta no Musel Abade de Baçal (Bragança).
  11. Outros itens a acrescentar.

  • Interpretação e Comparação com a Fig.11 (integral, à esquerda)
  • Estrutura: suásticas+ campos epigraficos + motivos zoomórficos
  • Angueira(Fig.central):Suásticas+campos epigráficos+Figura zoomórfica +Representação figurativa (pessoa)+3x Espadas
Fernando Coimbra (Lápides funerárias romanas com suástica em Portugal e Galiza, Anuário Brigantino, 2007, nr.30) analisa a iconografia e os motivos decorativos destes monumentos. Sugere que a epigrafia tem representado a quota de informação mais relevante. De facto, a região do Nordeste Transmontano actual foi estudado inicialmente por L.Tranoy e P. Le Roux. L.Tranoy classificou a maioria das encontradas na região de Miranda do Douro como do tipo"Picote". Baseia a sua classificação na existência de peanha, meia-esfera e por vezes de representações zoomórficas (porco e veado, em geral).
A descoberta recente da lápide referida como nr.4 (acima), é do ponto de vista iconográfico de importância relevante, pois (apesar da sua degradação física) são ainda detectáveis todos estes elementos representativos( suástica, peanha, epigrafia) e do nosso ponto de vista apresenta fortes semelhanças com a referida na Fig.11-subtipo III-B por F. Coimbra. Partilhámos a ideia de que o centro produtor deste tipo não estaria localizada necessáriamente em Picote.
Como o material usado na sua produção é diversificado: granito (suástica de turbina), pedra de  xisto de grandes dimensões e de proveniência local e ainda mármore certamente proveniente  das minas de Santo Adrião fazem de Angueira um centro produtor autónomo. Acresce ainda o facto da análise iconográfica dos motivos picotados na peça de mármore revelarem motivos únicos que só podem ter tido origem local. 
  • A análise do motivo zoomórfico presente (corça) foi já feita anteriormente. A comparação só perde pela clara degradação da Fig.Central (Angueira) face à Fig.11 indicada por F. Coimbra. Deixa este autor uma porta aberta, na medida em que diz que a estela da Fig.11 está no Museu de Arqueologia de Lisboa, acrescentando que provém do planalto mirandês, mas de local desconhecido.
Conclusão: A estela de Angueira (nr.4) apresenta os mesmos motivos para a classificação do tipo "Picote". Porém não se limita aos padrão tido como tal, excedendo-o e lançando uma eventual janela de oportunidade para esclarecer a proveniência do local para a Fig.11, tido por "origem desconhecida" do planalto mirandês da célebre lápide dupla de  AMA e VALERIA.